Comentários, opiniões, crônicas e pitacos sobre bares, botecos e tudo mais que os cerca. Informações diversas atualizadas constantemente e toda sexta-feira o perfil do estabelecimento da rodada, não deixe de conferir!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tambaquis e namorados: Bar Baroneza



Luz baixa, ótimos petiscos e uma arquitetura que chama atenção (até para quem não entende nada disso) são os principais itens que diferenciam o recente Bar e Choperia Baroneza dos demais bares. Como prometido há poucas semanas, hoje é dele que o Chama Garçom! dedica suas breves linhas.

Para perceber o que está escrito acima, basta entrar no bar. Mesmo ganhando destaque pela localização, cercado praticamente apenas por residências, de fora ele não chama tanta atenção quanto poderia. Com a porta aberta, tudo muda, porém. A intenção dos donos era recriar o ambiente de antigas estações ferroviárias. Na decoração acertaram em cheio, usando muita madeira e dedicando um longo balcão de madeira em “L” ao bar. Quase em sua curva, uma grade dá ares de bilheteria ao caixa do bar.

Se numa estação de verdade, porém, as despedidas são comuns, no Baroneza os encontros de pares, sem pressa nem tristeza, chamam a atenção. Com as três características que iniciam o texto, não poderia ser diferente, fazendo com que ele se encaixe perfeitamente na categoria “para ir a dois” de qualquer revista de bares e restaurantes. Um dos pontos que mais contribui a isso é o seu “segundo andar” - na realidade, praticamente um mezzanino, estreito, porém bastante aconchegante.

Mas não só de amor vive um casal, e por isso, vamos aos petiscos. Quanto visitar o Baroneza, você verá: a comida é excelente e por vezes muito diferente do que se está acostumados a pedir nos bares. Para ter uma ideia, se bolinho de aipim já é bom e carne de siri, e queijo coalho não ficam para trás, imagina os três juntos. Pois esse é o Siri na Toca da Mandioca, já apresentado pela coluna há poucas semanas. Impressionantemente, os três juntos formam um dos melhores petiscos da cidade. Tão bom quanto é a Costelinha de Tambaqui – que vem empanada e com molho de ostra, num quê de “popular brasileiro refinado”.

As duas sugestões ganham a mesa e alimentam bem, ainda mais acompanhadas de uma Bohemia, sempre gelada, ou de uma das cachaças que a casa dispõe, entre algumas boas opções. Caipirinhas diversas, com misturas criativas e drinques que vão no mesmo caminho fecham o bom cardápio da casa.

O Baroneza funciona de segunda a sábado, das 11h à 1h e não abre domingo. O bar fica na Rua Conselheiro Carrão, 279, no Juvevê.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Eu caio de Bossa

A bossa nova, o samba, a brasilidade são temas recorrentes quando falamos do objeto dessa coluna, os bares. O Bossa Nova Bar é mais um deles. Se o início desse texto pode dar a ideia de que falamos de um bar comum, como vários outros, que se desfaça aqui essa impressão, pois o estabelecimento em questão é bastante peculiar quanto à sua utilização – ora bar, ora casa noturna.

O projeto inicial, como pode ser percebido através do site oficial do estabelecimento (http://www.bossanovabar.com.br/), começou em 2008 com um propósito de servir como um bar aberto de quarta a sábado, com o diferencial da música ao vivo diariamente. As fotos do site mostram mesas de madeira espalhadas por todo o recinto, mas se perguntar à boa parte dos frequentadores do local se já viram tais mesas por lá, a maioria dirá que não.

Isso porque o sucesso do bar foi tão grande que acabou tomando conotação de casa noturna. Quem passa na estreita rua em frente ao Bossa Nova após as 22 horas se depara com um enorme fluxo de carros e pessoas. Por vezes, a fila demora até 2 horas. Mas a espera é compensadora.

Recheado de influências cariocas, o piso da entrada do bar já é uma réplica do calçadão de Copacabana. Os quadros todos remetem ao Rio de Janeiro e seus artistas, inclusive Roberto Menescal, ícone da Bossa Nova que presenteou o estabelecimento com um violão autografado. Já o espaço Maracanã faz uma homenagem aos quatro maiores clubes cariocas e conta com uma mesa de sinuca posta sobre um piso de grama sintética.

As decorações e ambientes seriam material para muitas colunas, portanto, vamos à cozinha, pois o espaço é pouco. Tipicamente brasileiras, as porções são boas e bem servidas, mas assim como a cerveja – sempre bem gelada – acompanham os altos preços da maioria dos bares da cidade. Há de se fazer um comentário neste ponto. Quando citamos preços altos é apenas uma referência ao futuro cliente e não uma reprimenda ao bar, já que, como citado anteriormente, motivos não faltam para a visita ao Bossa Nova.

A música é um desses motivos. Sempre ao vivo, com apenas alguns intervalos, intercalam-se bandas de renome no cenário curitibano. Sossega Malandro, Samba de Saia, Homem Canibal, Naína, Zazueira, entre outros, são os porta-vozes da boemia carioca em solo paranaense.

A casa abre às 19 horas, de quarta a sábado, e deste horário até as 22(h) é possível sentar para bater papo, comer uma porção degustando uma Original bem gelada. Depois disso entram em cena o samba, as pessoas e a noite segue embalada madrugada adentro.

O Bossa Nova Bar fica na Rua Senador Xavier da Silva, 210, e o telefone para contato é o 3077-1812.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Se o nome já é bom...



Com o mesmo nome de uma das maiores canções de samba, escrita por Lúcio Cardim, o ainda recente Matriz & Filial honra e promove a mais brasileira das músicas. Pouco mais de um ano de sua inauguração, o bar já se coloca como um dos bons cenários musicais da cidade, apresentando shows ao vivo de quarta a sábado, entre MPBs, choros, bossas e sambas, logicamente.

E não apenas as apresentações e o nome do estabelecimento remetem à música nacional, mas toda sua decoração também ajuda no clima amistoso do bar. Para começar, fotos e caricaturas de nossos compositores e intérpretes mais renomados (e saudosos) ilustram suas paredes e tetos, em lustres personalizados. Por onde se anda, então, neste lugar, sempre se sente em boa companhia. Mesas e cadeiras em mosaico preto e branco, lembrando de leve o petit pavet de várias cidades do Brasil, completam o ambiente.

Como não poderia deixar de ser, comidas e bebidas ajudam a compor o cenário. De bebidas chopes Heineken, Sol e Xingu, cervejas Kaiser Gold, Heineken Sol Mexicana, Dos Xx e Summer. Mas o charme fica para a rica carta de cachaças anunciada pela casa. Além das tradicionais Ypióca 160 e Nega Fulô, o Matriz & Filial ainda conta com garrafas apontadas como as melhores do país, pelo ranking da revista Playboy, como a mais popular Germana e a Maria Izabel, que vem diretamente de Paraty (RJ).

É só pedir uma dessas e aí acenar ao amigo garçom, pedindo uma Isca de Picanha na Farofa – prato que não pede mais explicações além do nome, muito bem servido, delicioso e não tão caro. Exemplo de custo benefício. Já as cervejas e porções mais “casuais” não são tão boas nesse quesito. Muito gostosas, sim, porém com o preço um pouco acima do desejável (e merecido) pelo cliente.

Já reconhecido como diferenciado, principalmente pelo ambiente e boa música, o Matriz & Filial, no entanto, destaca um perfil que está se tornando comum entre os bares da cidade: a apresentação de uma carta fechada de cervejas (da Ambev ou da Femsa) e os petiscos mais simples (batatas fritas, mandioca e por aí vai) num preço um pouco exagerado, quase padrão nos estabelecimentos da cidade. Em tempo, não se trata de uma reclamação, dura crítica ou denúncia inconformada aos botecos curitibanos, nada disso, só uma constatação do que anda cercando quem os frequenta e que poderia ser diferente, para agrado de seus tão fiéis clientes.

* O Chama o Garçom! parabeniza e agradece a toda a organização do Prêmio Boteco Bohemia 2009. À equipe Ambev e à Central Press, que tão bem desenvolveram todo o evento e promoveram a cultura dos bares – além da atenção que tiveram com toda a imprensa, incluindo os escritores desta coluna.

sábado, 19 de setembro de 2009

Boteco

Direto do Boteco Bohemia.

Se um dia, meu coração for consultado, ele dirá: estive no Boteco de 2009 e vi Monarco e Cia. entonando a canção de Paulinho.

Se por uns anos, cheguei atrasado e não vi seu Paulo, vi (será aprendiz?) o com certeza baluarte, estandarte, porta e mestre-sala, há uns meses cá mesmo em Curitiba. Hoje(agora) ver a Velha Guarda da águia, da azul e branca no palco e mostrando a mesma alegria do Seu Natal, é, pelo menos, saudade, vontade, amor - pelo Samba e pelo que a gente é. Se um dia.



Eu te quero
Nascer e Florescer



LFM

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Cana é benta, mas nem tanto

Foto: RPC






A primeira impressão incomoda um pouco. A poluição visual chama atenção logo na entrada do bar e é causada pelo excesso de aparatos e penduricalhos nas paredes e balcões do Cana Benta. O propósito do estabelecimento é recriar o clima de armazém antigo, com garrafas, lamparinas, barris, salames entre outros, decorando o ambiente. A ideia, apesar de não ser inédita, é boa e funcionaria bem, não fosse o exagero.

Apesar disso, parece que, felizmente, a bagunça da decoração passou longe da cozinha. O cardápio é bastante característico de boteco. Pedidas tradicionalíssimas como a Carne de Onça e o Rollmops, são acompanhadas por outras mais exóticas, porém pertinentes, como a Rã frita e o Bolovo. Outra boa sacada do Cana Benta é a seção de sanduíches, todos eles com temática caseira, como pão com mortadela, pão com lingüiça blumenau, pão com ovo, e muitos outros.

Uma novidade no menu é a porção “Três Porquinhos”, concorrente do prêmio de melhor petisco “Boteco Bohemia”. O concurso conhecerá seu vencedor no sábado,19/09, na festa de encerramento do evento, e não seria surpresa se a escolhida fosse a porção de costelinha de porco à pururuca, servidas com limão, pimenta e cachaça do Cana Benta.

Na seção etílica, o bar também obtém sucesso. Segue à risca a cartilha dos botecos ao oferecer o elixir dos boêmios – a Cerveja Original. E não para por aí, além de outras marcas do líquido precioso, também compõem o leque de opções variados tipos de cachaça, como a de fabricação da casa, que leva seu nome, e a tradicional Germana.

O Cana Benta segue uma tendência de resgate dessa cultura antiga de boteco, o que é louvável. Ainda assim, para ser eficaz e se destacar dentre outras boas opções, é preciso um diferencial que fidelize o cliente. Alguns locais se notabilizam pelo atendimento, o que não é o forte do Cana Benta que não faz cerimônias para dispensar o cliente na hora que julga conveniente. Tal atitude é totalmente o oposto do atendimento atencioso, cerimonial e distinto, com o frequentador - um dos atributos mais característicos dos saudosos botecos.

É complexa a receita que cria um bar de sucesso e o Cana Benta é a prova de que nem apenas de decoração e cervejas bastam para balancear a equação.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Prêmios para uma porção de botecos


Boêmios e botequeiros de Curitiba, uni-vos! Teve início no último dia 25 o famoso festival Boteco Bohemia, promovido pela tradicional marca brasileira de cervejas. De um modo bem geral, a ideia do projeto é a de uma competição saudável entre 20 bares da cidade para eleger, principalmente, o melhor petisco e o melhor garçom da cercania.

Em 20 dias de disputa (que dura até 13/09), os estabelecimentos escolhidos irão oferecer a seus clientes um prato novo de seu cardápio, elaborado excepcionalmente para o concurso. É o caso do Siri na Toca da Mandioca do bar Baroneza. Numa mistura típica de boteco, o petisco junta bolinho de mandioca, carne de siri e pedaços de queijo coalho – notório candidato ao título (bem como o Baroneza, sério candidato a figurar nesta coluna nas próximas semanas).

Entre os outros dezenove bares estão casas já consagradas na cidade, como o Jacobina, o Cana Benta e o Bar do Edmundo – cada qual com seu petisco, como também ocorre com bares mais novos, que já começam a ganhar reconhecimento. E o melhor, em cada bar participante do concurso é possível deixar a sua nota referente ao prato, seu Garçom Nota 10, e outros quesitos como o melhor ritual de servir Bohemia e a avaliação do atendimento.

Avaliar, reconhecer e consagrar botecos é uma possibilidade de valor, que deve ser reconhecida no festival. Porém, não é aí que mora o principal mérito do Boteco Bohemia, mas, sim, em promover todos os estabelecimentos participantes e a tão querida – e por vezes injustiçada – cultura dos botecos. Ponto para a majestosa cerveja de Petrópolis,

E, para combinar com o todo este cenário, ninguém melhor que a majestade do samba. Representada por sua Velha Guarda, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela vem a Curitiba para a Festa de Saideira, de premiação do festival, marcada para o dia 19 de setembro. O estandarte dos imortais Seu Natal, Paulo e Claudionor é a atração principal do dia, que também conta com a banda Bangalafumenga, e os DJs Fausto e Patife.

Para dar uma olhada em todos os bares participantes e saber mais sobre o festival, acesse www.botecobohemia.com.br/curitiba, e faça sua programação de petiscos a serem experimentados. Tudo isso, é claro, pelo bem e pela continuidade desta cultura.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sorvetes revolucionários


No início do mês estive em viagem para Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP. Entre debates e pingas artesanais, não poderia deixar de conhecer os bares da cidade. Assim sendo, segue um textinho sobre o Che Bar.


O argentino Ernesto “Che” Guevara é um ícone da América Latina. Seus ideais revolucionários inspiraram uma série de movimentos políticos em países como Cuba e Bolívia. Camisetas com o rosto de Che ou suas frases mais famosas como: ”Hasta la victoria siempre”, são vistas todos os dias nas ruas e são vendidas a rodo por grifes famosas em uma curiosa contradição de ideologias.

A inspiração não parou por aí, a agradabilíssima cidade de Paraty - RJ abriga um bar totalmente inspirado no revolucionário bolivariano, é o Che Bar. A música latina é a trilha sonora do bar localizado no Centro Histórico da cidade litorânea. Os detalhes de decoração, apesar de óbvios, são elementares para a construção da atmosfera caribenha: além de fotos de Che e de Cuba, podem ser vistas bandeiras cubanas tanto nas paredes quanto nas toalhas das mesas.

A culinária é inspirada na gastronomia cubana, mas não é nada diferente do que se vê por aí. O que realmente chama a atenção são os sorvetes. Como em bar de revolucionário, Petit Gateau não tem vez, os carros chefes da casa em termos de sobremesa são os sorvetes de Mojito (tradicional bebida cubana composta por rum e hortelã), e o de framboesa com pimenta. Se soam estranhas as combinações, igualmente surpreendentes são os sabores das iguarias - Valem por si só a visita. Os preços não são lá muito comunistas, mas não fogem à regra do restante da cidade histórica. Lembre-se, para aproveitar bem o passeio em Paraty: hay que gastar, pero sín perder la ternura. Com o perdão da licença poética.