Comentários, opiniões, crônicas e pitacos sobre bares, botecos e tudo mais que os cerca. Informações diversas atualizadas constantemente e toda sexta-feira o perfil do estabelecimento da rodada, não deixe de conferir!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Democrático

“Eu vou ao samba porque longe dele eu não posso viver” caberia de resposta não só a Paulinho da Viola, mas a qualquer cidadão que integra a boa roda do Aos Democratas, principalmente numa sexta ou sábado daqueles que se quer comemorar algo – mais um ano, ou simplesmente mais um dia de vida.

O clima é de eterna festa, o bom humor reina no ritmo de atabaques e pandeiros. É difícil ver cara feia no Aos Democratas. Até porque todo o bar conspira em favor da descontração. Como exemplo, a decoração é composta por camisas de clubes e outros adereços futebolísticos, assim como por caricaturas de grandes nomes da música brasileiríssima. Por sua vez, a música (primordialmente o samba, mas não raro ou bossa nova, ou MPB, ou samba rock, ou choro, ou o que for) mesmo quando a letra é triste, tem alegria na voz e na levada, o que faz com que o Aos Democratas – na humilde opinião dos escritores – tenha uma das melhores músicas ao vivo da cidade.

Outro destaque, como não poderia deixar de ser, vai ao chopp servido na casa, quase obrigatório na noite e que é responsável por algumas certificações que o bar ostenta orgulhoso, atribuídas pela marca de excelência da Ambev, chamada Real Academia do Chopp. Aqui vale uma ressalva, se o chopp é realmente bom, a maneira como é servido, em alguns casos, põe tudo a perder. É um daqueles bares em que o garçom não espera a afetuosa solicitação do amigo cliente, mas já enche a bandeja e sai a distribuir calderetas e canecas a quem estiver com copos meio vazios. Além de não ser uma prática agradável, o chopp por vezes perde aquele gosto de tirado na hora e não chega tão gelado a mesas e goelas.

Da chopeira para a cozinha, merecem destaque as primorosas porções de bolinhos de macaxeira com carne-seca e o carro-chefe da casa, o Frango Democrata. Esta última composta por frango empanado com um tempero da casa, é presença quase certeira nas mesas dos torcedores que lá se reúnem para assistir os jogos de futebol de seus times.

Os telões exibindo as partidas também constituem o rol de atrativos do Aos Democratas. É possível encontrar diversos grupos, até mesmo de torcedores rivais, dividindo o mesmo espaço em pacífica convivência. Uma atitude – com o perdão do trocadilho – Democrática.

O Aos Democratas parece ter encontrado a melodia do sucesso ao conciliar no mesmo ambiente tantas paixões nacionais em harmonia: Chopp, samba, futebol e gente bonita – os acordes e notas da partitura escrita desde 2003, e em constante atualização. E é com outro ensinamento do mestre Paulinho da Viola que reforçamos que o bar merece a vista, afinal: “Ninguém pode explicar a vida num samba curto”.

O Aos Democratas fica na Rua Doutor Pedrosa, nº 485, e abre de terça a sexta às 18h e nos finais de semana a partir das 15h, todos os dias até o último cliente. O telefone para reservas é o 3024-4496.



Por Fernando de Castro e Luiz Felipe Marques

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Kaes Bar: Clima amigável a um preço atraente

Bar bom é aquele que te faz sentir-se em casa e esse quesito o Kaes Bar cumpre com excelência. Localizado no Cabral, o bar veio suprir a carência da região em estabelecimentos do tipo, e acertou a mão. O Kaes, que abriu em 2007 pertence aos irmãos Kariston e Esdras – o nome do local vem das iniciais dos dois – e desde então se tornou ponto de encontro oficial de jovens de variadas tendências.

Tudo por lá remete à sensação de estar na sua casa ou quem sabe na de um amigo, começando pelo fato de o bar ter sido acertadamente instalado em um sobrado. Na casa do Kaes tem sala de estar, sala de visitas, sala de jogos – onde é possível jogar sinuca por módicos dois reais – e claro, cozinha.

Apesar de não ser a especialidade do bar, a cozinha atende bem à necessidade dos famintos da madrugada. Com as opções de sanduíches, nachos e porções, o cliente nem precisa se dar ao trabalho de procurar um cachorro quente de rua aberto, mata a fome por lá mesmo.

Mais ainda, o Kaes possui alguns diferenciais elementares para a compreensão do sucesso do bar em ser a segunda casa dos notívagos. Um deles é o mágico Roberto Polini que aos sábados exibe seus truques pelas mesas e balcões do estabelecimento, arrancando exclamações até mesmo dos mais céticos. Um show à parte. Outro fator que influi consideravelmente é o musical. Apesar de contar com dvds de excelente qualidade - mostrados em duas televisões - o Kaes também exibe o repertório que algum cliente eventualmente leve e queira ouvir e assistir, uma medida simples e que agrada muito aos frequentadores.

O clima de amizade é algo que chama a atenção por lá. Basta um olhar breve para perceber como o local é apinhado de grupos que fazem do Kaes seu reduto de encontro. Até os garçons entram nessa. Desde o rapaz que cuida da porta até o preparador dos narguiles, todos são amigos e frequentadores do local, o que se provou ser uma jogada inteligente. Ao mesmo tempo em que os proprietários possuem um staff confiável e disposto, é difícil apontar quem não gostaria de ganhar uma graninha pra trabalhar no bar.

Esse sucesso todo não seria possível isolado de um quesito fundamental - o preço. Justa e acessível, a quantia cobrada pelos proprietários é o ingrediente principal para familiarizar o consumidor ocasional e transformá-lo no cliente de todo final de semana. O narguile, por exemplo, que dispõe de enorme popularidade no bar, em outros locais não custa menos de R$20. No Kaes sai por seis, e seu refil quatro. A cerveja Heineken de 600ml custa R$4,30 e nem precisa da tradicional promoção do “baldinho” oferecida por outros lugares, o preço em si já é o convite para o retorno do cliente. Não bastasse a pechincha que é consumir no Kaes, o preço de entrada é também democrático – Livre durante a semana, e nunca mais de R$2,50 nos finais de semana e feriados.

O Kaes fica na Rua Manoel Pedro 715, e atende de terça a domingo das 19 e 30, até o último cliente – que costuma demorar pra ir embora. O telefone é 3253-3997 e é possível fazer reserva para eventos.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Dá licença de contá

Comecinho de 2006 e nascia o bar que acabou dando origem ao Saudosa Maloca, tema da coluna de hoje. Era o Esquina Brasil, cujo nome vinha justamente da localização, em mais uma esquina, dessa vez da Senador Xavier com a Duque de Caxias. Já o sobrenome Brasil descendia da decoração, do ambiente e da música: capas de discos dos nossos artistas por todo o bar, uma gostosa descontração todos os dias e samba – de altíssima qualidade.

Depois de um tempo, porém, as coisas mudaram. Os finais de semana sempre de samba receberam dias de pop rock nacional e estrangeiro. Um pouco descaracterizado, quase no fim de 2008 o bar foi vendido e no ano seguinte, eis que surge o Saudosa Maloca.

Com o nome inspirado numa das maiores obras do também saudoso Adoniran Barbosa, o intuito da casa é fazer uma referência a capital paulista, alguns de seus ilustres cidadãos, suas tradições e seu samba. Dessa forma, quem já conhecia e gostava do velho Esquina, sente-se novamente abrigado por um bar, e logo ali, no mesmo endereço.

Diferente de casas que hoje atraem um grande público, o Saudosa Maloca não tem por objetivo chamar bandas jovens de samba, samba rock, bossa e MPB para tocar novos sucessos. Nada disso. A música da casa é de grande qualidade, dando ampla atenção para aquelas canções eternas, que nunca se cansa de escutar. Nos sábados, por exemplo, quem toca lá é O Mimeográfo, trio formado por Amauri, Edson e Kalil. Grupo simples, de ótima música e gostoso de ouvir como poucos hoje.

Da música para o cardápio, o bar apresenta pratos diferentes mais elaborados e massas, mas sem deixar de lado – para agrado de paulistanos, curitibanos, novos baianos e todos mais brasileiros – as queridas porções, bem servidas e sem machucar muito o bolso. Para dar mais um toque da terra de Adoniran e dos Demônios, é servido um sanduíche de mortadela do mercadão.

Um bom ambiente, samba na medida e boas porções, porém, iam se sentir sozinhos, pobres coitados, sem pelo menos um copo com colarinho, seja do chopp (preferencialmente o Brahma) ou da cerveja (agora a vez da Original), que podem ser escolhidos entre algumas marcas. Mais uma vez, preços não abusivos.

O Saudosa funciona de segunda a sábado, a partir das 17h. Até as 19h a entrada é franca, a partir deste horário são cobrados R$ 5,00 por pessoa, valor convidativo a quem ama, gosta, sente saudade, não conhece direito, ou mesmo ainda não aprecia, mas quer viver um pouco, mesmo que pelo tempo de dois chopes, da querida cidade de São Paulo.

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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ao Distinto Cavalheiro: Cara de antigo com cheiro de novo




A esquina da Rua Saldanha Marinha com a Visconde do Rio Branco abriga o agradável e charmoso bar “Ao Distinto Cavalheiro”. Aliás, é curioso como os bares bons possuem tendência a se localizarem nas esquinas. Não sei se por convenção ou mero acaso, o fato é que soa mais atrativa a tradicional explicação - “na esquina A, com a rua B, bem facinho”.

De volta ao Distinto, como é chamado carinhosamente pelos seus frequentadores mais assíduos, a decoração do local é diretamente responsável pela atmosfera acolhedora. Inspirado nos botequins dos anos 40 e 50, o que chama a atenção logo de cara são os instrumentos musicais pendurados no teto – pandeiro, caixa, surdo, viola e trompete – alguns dos componentes da banda imaginária do bar. O som ambiente, como não poderia deixar de ser, é tipicamente brasileiro. Bossa Nova, Chorinho, Samba e MPB embalam os chopes e porções dos boêmios locais.

A culinária é outro atrativo, começando pela cumbuca de caldinho de feijão que fica no balcão e é servida pelo dono do bar, que sempre está lá batendo um papo com os clientes. Merecem destaque também a carne de onça e o pernil quatro queijos, ótimas pedidas para acompanhar os jogos do seu time de futebol na TV instalada no salão principal.

A casa conta com uma variedade grande de cachaças, inclusive uma de fabricação própria e as únicas cervejas servidas são as importadas, como a uruguaia Patrícia. O chope é a melhor referência (e melhor pedida) do bar - bem tirado e na temperatura ideal - revela o que é o grande segredo do Distinto e me motivou a escrever esta coluna: o esmero.

O bar é pequeno, tem lugar para aproximadamente 50 pessoas e conta com uma variedade decorativa que faz inveja a muitos bares maiores e mais falados pela mídia. Além dos citados instrumentos musicais, as paredes e estantes são forradas de garrafas, livros, charges, recortes de jornais, flâmulas, anúncios culturais antigos e recentes. Opa, mas tudo isso em um espaço tão reduzido? Essa é a impressão que o texto pode causar, mas uma única visita, por mais breve que seja, é suficiente para que o novato compreenda a cuidadosa e apurada noção de espaço de que produziu o ambiente.

O esmero também se faz presente no tratamento com o cliente, que lá é sempre tratado muito bem seja novo ou antigo. Esses antigos, aliás, têm até suas próprias garrafas expostas atrás do balcão, e o que é mais curioso, apenas com o primeiro nome anotado, o que reforça a familiaridade do local.

Um bar novo, com aura antiga, esse é o “Ao Distinto Cavalheiro”, que fica localizado na Saldanha Marinho 894, e atende - de segunda a sexta a partir das 17e30 e sábados a partir do meio dia – sempre até o último cliente.