Comentários, opiniões, crônicas e pitacos sobre bares, botecos e tudo mais que os cerca. Informações diversas atualizadas constantemente e toda sexta-feira o perfil do estabelecimento da rodada, não deixe de conferir!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Kaes sob nova direção

Já comentamos aqui sobre o Kaes Bar, um bar bem agradável localizado no Cabral - mas tem novidade por aí. Adquirido no começo de Outubro pelos irmãos Francisco e Fabrício, além do primo Rodrigo, o Kaes está com cara nova. As novidades vão desde a decoração, que agora traz um ar mais praiano ao local, até o cardápio – reelaborado por Fabrício que é chef de cozinha. Em breve também serão transmitidas partidas das equipes locais de futebol.

A proposta dos proprietários é trazer um bar totalmente novo, e assim que as reformas estiverem concluídas faremos aqui um perfil mais detalhado do estabelecimento. Vale conferir!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Saideira

Por Fernando de Castro e Luiz Felipe Marques



Escrever sobre bar é duro, mas um prazeroso ofício também. Por todo mundo ter seu pitaco, todo mundo ser meio “especialista”, esta se torna uma tarefa difícil. Além do mais, para escrever de bar, é necessário ter certa ousadia. Afinal, quem somos nós para definir conceitos sobre algo tão presente no cotidiano de tanta gente?


Nossa missão sempre foi responder essa pergunta à nossa meia dúzia e meia de leitores e durante este ano de Lona, esperamos ter atingido o objetivo.


Falar sobre bar é reviver, ainda que em memória, todos aqueles acontecimentos marcantes – cada um à sua maneira – que a mesa de boteco presenciou. Boas lembranças, outras nem tanto, não importa. O bar em si é um acontecimento singular, e que a cada oportunidade traz uma surpresa diferente.


Pode ser o sorriso aberto do garçom que, matreiro, já saca da geladeira sua cerveja favorita quando te vê entrar. Pode ser o dono do bar, que com a simpatia que deve ser peculiar aos proprietários de um bom boteco senta na sua mesa pra jogar conversa fora.


A conversa. Do futebol do final de semana – do impedimento ou não –, do avanço econômico, daquela aula interminável, do seriado antigo que nos mostra como o tempo passa, da moça que se deseja – será que vai? – das moças em geral (será que vêm), do candidato ao Oscar ou daquela festa que está por vir. O tema não importa, o que vale no boteco é não deixar cair a bola (e o brinde, claro).


Talvez seja por isso que, por muitas vezes, comentamos do ambiente e do público do bar. O clima que se tem como ideal para um bom bar é ameno, amistoso, até para consolidar aquele momento de exceção dentro do cotidiano de trabalho, de aula, de canseira. E para isso, a (boa) companhia é fundamental, essencial e desejada. Grandes amigos, amigos e amigos de amigos são sempre recebidos de portas abertas e com o famoso pedido de “Mestre, traz mais três copinhos aqui pra gente, por gentileza”, seguido das cadeiras puxadas e deslocadas para caber mais gente à mesa.


Mas o bar não tem restrição. Ele recebe também e, como bom anfitrião, pessoas desconhecidas faz nascer novas amizades, de pessoas desconhecidas, que em outras vezes, em outros bares irão afirmar esse relacionamento. Pensa bem: por causa de um bar, quantos amigos você já não fez? Talvez, e esta é uma de nossas grandes desconfianças, o bar seja isso: o lugar em que brindamos o dia-a-dia que se quer, a vida que se leva.


-> Saideira por quê?
É simples, como é sabido, este blog publica semanalmente suas colunas, religiosamente nas esperadas sextas-feiras, no Lona - jornal diário do curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Pela proximidade do final do ano, o jornal só continuará sua circulação em 2010, sendo esta a última aparição do Chama o Garçom nos Lonas de 2009. De qualquer jeito, como bar que é bom não fecha, nosso blog vai no mesmo caminho, continuando agora, somente por este endereço, a publicar suas colunas. Puxem suas cadeiras, afastem o copo para o lado só por um minuto e continuem acompanhando!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

É bar ou restaurante? O Zapata é os dois!



Uma das coisas mais difíceis nesta dura empreitada em escrever sobre bares e botecos é definir e encaixar os estabelecimentos nessa categoria. Como é possível definir um bar? No que já foi possível aprender, percebe-se que não há regra fechada, por exemplo “quais bebidas devem ter”, "quais petiscos/comidas”, “que pessoas frequentam” . Nada disso. Dá para dizer que o clima faz o boteco. É algo muito mais sensitivo que determinado.

Por exemplo, um lugar pode servir chope, carne de onça e só ter jogador de sinuca que às vezes a gente entra e não se sente num ambiente amistoso, alegre e de bons momentos – como um bom bar deve ser. Ao mesmo tempo, um lugar sem nenhuma dessas opções pode, logo que visto da rua mesmo, despertar uma vontade de passar o final da tarde depois do trabalho, antes (ou durante) a aula que nem precisa de explicação, de chope ou carne de onça – de qualquer jeito, sabemos que estes itens ajudam a um ambiente já botequístico a se afirmar ainda mais.

Tudo isso, apenas para explicar o estabelecimento de hoje. O Zapata Mexican Bar por vezes é bar, por vezes restaurante (apesar do nome). É claro que os pratos lá não são encontrados facilmente em qualquer outro que cabe na categoria. Talvez seja um bar “moderninho”. Mas tudo depende da intenção.

Ir no Zapata com os amigos, no final da tarde, ficar em uma de suas mesinhas ao ar livre e pedir uma cerveja – na maioria dos casos a Heineken é a melhor opção, assim como o chope da marca – dá uma sensação inconfundível de bar. Mesmo não tendo aquela simplicidade de boteco: é tudo muito bem produzido, decorado tematicamente com motivos do México e do líder revolucionário que dá nome ao estabelecimento.

Os nachos, que mesmo “mexicanos” já aparecem em vários bares, ganham algumas opções no Zapata. O destaque vai para os Concorrientes, variedade que conta com tortillas de milho, chili, queijo derretido, guacamole, salsa mexicana e sour cream. Mesmo com toda “elaboração”, como é fácil de dividir com quem estiver perto e casa muito bem com uma cerveja, cabe na descrição de bar com maestria.

Só que mais à noite, quando a vontade é jantar, mesas com casais estão por todo o lugar. Os pratos pedidos são mais refinados e a cerveja ou o chope não andam por tantas bandejas. Ainda sim, são boas as opções para matar a fome ou a sede, como acontece com a boa marguerita do, agora, sim, restaurante.

De qualquer forma, seja para bar, seja para restaurante, o Zapata é uma boa pedida. Não à toa, quase todos os dias o bar (ou restaurante, como preferir) está bem cheio. Nos sábados, então, desde o começo da tarde até o começo da madrugada as mesas estão todas completas. O sucesso é tanto que um segundo estabelecimento foi inaugurado há poucos meses, com proposta idêntica.

Serviço:
O Zapata original fica na rua José Sabóia Cortes,383, ao lado do Bosque do Papa. Funciona de segunda a sábado das 11h às 2h e aos domingos das 11h30 à meia-noite. Já o novo é na Silva Jardim, 3959, seu horário de funcionamento é das 11h30 às 2h30 diariamente.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Nas alturas

A rede de bares Menina dos Olhos é uma das maiores, senão a maior da cidade. Seu complexo abrange além do bar original - homônimo à rede – o Menina Zen, o Menina dos Olhos Alto da XV, o Menina da Colina e uma filial recentemente aberta em Londrina. Como cada um possui suas peculiaridades, seria injusto tratar de todos na mesma coluna, portanto, damos o pontapé inicial com o Menina da Colina e seu belíssimo visual.

Localizado no São Lourenço – um dos bairros mais altos de Curitiba – o bar possui esse nome em referência literal à superfície na qual está postado – uma colina. A privilegiada posição geográfica tornou-se aliada dos proprietários, que instalaram um deck externo que oferece uma visão ampla e bela da cidade. Se beber uma cerveja gelada já é bom, apreciando o pôr-do-sol em um cenário onde os prédios parecem tão distantes é, decerto, uma das sensações mais agradáveis em termos de experiências boêmias. O paradoxo estabelecido entre os jardins verdes e floridos do local, com os prédios lá no horizonte é incrivelmente tranquilizante, quase bucólico.

Em termos de estrutura, as qualidades não param na colina. A casa de madeira que abriga a parte interna do bar foi tombada como patrimônio histórico em 1953, e seu pé-direito elevado proporciona um ambiente confortável. A casa abriga, além das mesas, um espaço para música ao vivo, que é um fator complementar quase essencial para a constituição do clima leve e tranqüilo do Menina da Colina.

A ala gastronômica também não fica para trás. Com variadas opções de porções e pratos, damos destaque ao tradicional bolinho de mandioca com carne seca - que lá chama Bolinho Nordestino- à porção de pasteizinhos com diversos sabores e ao Xixocoalho, que são pequenos espetinhos de carne, cebola, pimentão, tomate e queijo coalho no palito.

As cervejas seguem o padrão dos estabelecimentos que vendem apenas os rótulos da FEMSA. Kaiser Gold, Heineken, Sol, Bavária Premium e Xingu. Todas bacanas, mas falta a Original, que dispensa comentários.

O Menina da Colina certamente está entre os bares mais agradáveis de Curitiba para um bate-papo. Em dias de sol então, é pedida certa. Vale a pena subir o morro para olhar de cima, e à distância, todo o stress do dia-a-dia.

O bar fica na Rua Nilo Peçanha, 3625 e abre todos os dias. O telefone para contato é o 3352-0092.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tambaquis e namorados: Bar Baroneza



Luz baixa, ótimos petiscos e uma arquitetura que chama atenção (até para quem não entende nada disso) são os principais itens que diferenciam o recente Bar e Choperia Baroneza dos demais bares. Como prometido há poucas semanas, hoje é dele que o Chama Garçom! dedica suas breves linhas.

Para perceber o que está escrito acima, basta entrar no bar. Mesmo ganhando destaque pela localização, cercado praticamente apenas por residências, de fora ele não chama tanta atenção quanto poderia. Com a porta aberta, tudo muda, porém. A intenção dos donos era recriar o ambiente de antigas estações ferroviárias. Na decoração acertaram em cheio, usando muita madeira e dedicando um longo balcão de madeira em “L” ao bar. Quase em sua curva, uma grade dá ares de bilheteria ao caixa do bar.

Se numa estação de verdade, porém, as despedidas são comuns, no Baroneza os encontros de pares, sem pressa nem tristeza, chamam a atenção. Com as três características que iniciam o texto, não poderia ser diferente, fazendo com que ele se encaixe perfeitamente na categoria “para ir a dois” de qualquer revista de bares e restaurantes. Um dos pontos que mais contribui a isso é o seu “segundo andar” - na realidade, praticamente um mezzanino, estreito, porém bastante aconchegante.

Mas não só de amor vive um casal, e por isso, vamos aos petiscos. Quanto visitar o Baroneza, você verá: a comida é excelente e por vezes muito diferente do que se está acostumados a pedir nos bares. Para ter uma ideia, se bolinho de aipim já é bom e carne de siri, e queijo coalho não ficam para trás, imagina os três juntos. Pois esse é o Siri na Toca da Mandioca, já apresentado pela coluna há poucas semanas. Impressionantemente, os três juntos formam um dos melhores petiscos da cidade. Tão bom quanto é a Costelinha de Tambaqui – que vem empanada e com molho de ostra, num quê de “popular brasileiro refinado”.

As duas sugestões ganham a mesa e alimentam bem, ainda mais acompanhadas de uma Bohemia, sempre gelada, ou de uma das cachaças que a casa dispõe, entre algumas boas opções. Caipirinhas diversas, com misturas criativas e drinques que vão no mesmo caminho fecham o bom cardápio da casa.

O Baroneza funciona de segunda a sábado, das 11h à 1h e não abre domingo. O bar fica na Rua Conselheiro Carrão, 279, no Juvevê.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Eu caio de Bossa

A bossa nova, o samba, a brasilidade são temas recorrentes quando falamos do objeto dessa coluna, os bares. O Bossa Nova Bar é mais um deles. Se o início desse texto pode dar a ideia de que falamos de um bar comum, como vários outros, que se desfaça aqui essa impressão, pois o estabelecimento em questão é bastante peculiar quanto à sua utilização – ora bar, ora casa noturna.

O projeto inicial, como pode ser percebido através do site oficial do estabelecimento (http://www.bossanovabar.com.br/), começou em 2008 com um propósito de servir como um bar aberto de quarta a sábado, com o diferencial da música ao vivo diariamente. As fotos do site mostram mesas de madeira espalhadas por todo o recinto, mas se perguntar à boa parte dos frequentadores do local se já viram tais mesas por lá, a maioria dirá que não.

Isso porque o sucesso do bar foi tão grande que acabou tomando conotação de casa noturna. Quem passa na estreita rua em frente ao Bossa Nova após as 22 horas se depara com um enorme fluxo de carros e pessoas. Por vezes, a fila demora até 2 horas. Mas a espera é compensadora.

Recheado de influências cariocas, o piso da entrada do bar já é uma réplica do calçadão de Copacabana. Os quadros todos remetem ao Rio de Janeiro e seus artistas, inclusive Roberto Menescal, ícone da Bossa Nova que presenteou o estabelecimento com um violão autografado. Já o espaço Maracanã faz uma homenagem aos quatro maiores clubes cariocas e conta com uma mesa de sinuca posta sobre um piso de grama sintética.

As decorações e ambientes seriam material para muitas colunas, portanto, vamos à cozinha, pois o espaço é pouco. Tipicamente brasileiras, as porções são boas e bem servidas, mas assim como a cerveja – sempre bem gelada – acompanham os altos preços da maioria dos bares da cidade. Há de se fazer um comentário neste ponto. Quando citamos preços altos é apenas uma referência ao futuro cliente e não uma reprimenda ao bar, já que, como citado anteriormente, motivos não faltam para a visita ao Bossa Nova.

A música é um desses motivos. Sempre ao vivo, com apenas alguns intervalos, intercalam-se bandas de renome no cenário curitibano. Sossega Malandro, Samba de Saia, Homem Canibal, Naína, Zazueira, entre outros, são os porta-vozes da boemia carioca em solo paranaense.

A casa abre às 19 horas, de quarta a sábado, e deste horário até as 22(h) é possível sentar para bater papo, comer uma porção degustando uma Original bem gelada. Depois disso entram em cena o samba, as pessoas e a noite segue embalada madrugada adentro.

O Bossa Nova Bar fica na Rua Senador Xavier da Silva, 210, e o telefone para contato é o 3077-1812.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Se o nome já é bom...



Com o mesmo nome de uma das maiores canções de samba, escrita por Lúcio Cardim, o ainda recente Matriz & Filial honra e promove a mais brasileira das músicas. Pouco mais de um ano de sua inauguração, o bar já se coloca como um dos bons cenários musicais da cidade, apresentando shows ao vivo de quarta a sábado, entre MPBs, choros, bossas e sambas, logicamente.

E não apenas as apresentações e o nome do estabelecimento remetem à música nacional, mas toda sua decoração também ajuda no clima amistoso do bar. Para começar, fotos e caricaturas de nossos compositores e intérpretes mais renomados (e saudosos) ilustram suas paredes e tetos, em lustres personalizados. Por onde se anda, então, neste lugar, sempre se sente em boa companhia. Mesas e cadeiras em mosaico preto e branco, lembrando de leve o petit pavet de várias cidades do Brasil, completam o ambiente.

Como não poderia deixar de ser, comidas e bebidas ajudam a compor o cenário. De bebidas chopes Heineken, Sol e Xingu, cervejas Kaiser Gold, Heineken Sol Mexicana, Dos Xx e Summer. Mas o charme fica para a rica carta de cachaças anunciada pela casa. Além das tradicionais Ypióca 160 e Nega Fulô, o Matriz & Filial ainda conta com garrafas apontadas como as melhores do país, pelo ranking da revista Playboy, como a mais popular Germana e a Maria Izabel, que vem diretamente de Paraty (RJ).

É só pedir uma dessas e aí acenar ao amigo garçom, pedindo uma Isca de Picanha na Farofa – prato que não pede mais explicações além do nome, muito bem servido, delicioso e não tão caro. Exemplo de custo benefício. Já as cervejas e porções mais “casuais” não são tão boas nesse quesito. Muito gostosas, sim, porém com o preço um pouco acima do desejável (e merecido) pelo cliente.

Já reconhecido como diferenciado, principalmente pelo ambiente e boa música, o Matriz & Filial, no entanto, destaca um perfil que está se tornando comum entre os bares da cidade: a apresentação de uma carta fechada de cervejas (da Ambev ou da Femsa) e os petiscos mais simples (batatas fritas, mandioca e por aí vai) num preço um pouco exagerado, quase padrão nos estabelecimentos da cidade. Em tempo, não se trata de uma reclamação, dura crítica ou denúncia inconformada aos botecos curitibanos, nada disso, só uma constatação do que anda cercando quem os frequenta e que poderia ser diferente, para agrado de seus tão fiéis clientes.

* O Chama o Garçom! parabeniza e agradece a toda a organização do Prêmio Boteco Bohemia 2009. À equipe Ambev e à Central Press, que tão bem desenvolveram todo o evento e promoveram a cultura dos bares – além da atenção que tiveram com toda a imprensa, incluindo os escritores desta coluna.

sábado, 19 de setembro de 2009

Boteco

Direto do Boteco Bohemia.

Se um dia, meu coração for consultado, ele dirá: estive no Boteco de 2009 e vi Monarco e Cia. entonando a canção de Paulinho.

Se por uns anos, cheguei atrasado e não vi seu Paulo, vi (será aprendiz?) o com certeza baluarte, estandarte, porta e mestre-sala, há uns meses cá mesmo em Curitiba. Hoje(agora) ver a Velha Guarda da águia, da azul e branca no palco e mostrando a mesma alegria do Seu Natal, é, pelo menos, saudade, vontade, amor - pelo Samba e pelo que a gente é. Se um dia.



Eu te quero
Nascer e Florescer



LFM

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Cana é benta, mas nem tanto

Foto: RPC






A primeira impressão incomoda um pouco. A poluição visual chama atenção logo na entrada do bar e é causada pelo excesso de aparatos e penduricalhos nas paredes e balcões do Cana Benta. O propósito do estabelecimento é recriar o clima de armazém antigo, com garrafas, lamparinas, barris, salames entre outros, decorando o ambiente. A ideia, apesar de não ser inédita, é boa e funcionaria bem, não fosse o exagero.

Apesar disso, parece que, felizmente, a bagunça da decoração passou longe da cozinha. O cardápio é bastante característico de boteco. Pedidas tradicionalíssimas como a Carne de Onça e o Rollmops, são acompanhadas por outras mais exóticas, porém pertinentes, como a Rã frita e o Bolovo. Outra boa sacada do Cana Benta é a seção de sanduíches, todos eles com temática caseira, como pão com mortadela, pão com lingüiça blumenau, pão com ovo, e muitos outros.

Uma novidade no menu é a porção “Três Porquinhos”, concorrente do prêmio de melhor petisco “Boteco Bohemia”. O concurso conhecerá seu vencedor no sábado,19/09, na festa de encerramento do evento, e não seria surpresa se a escolhida fosse a porção de costelinha de porco à pururuca, servidas com limão, pimenta e cachaça do Cana Benta.

Na seção etílica, o bar também obtém sucesso. Segue à risca a cartilha dos botecos ao oferecer o elixir dos boêmios – a Cerveja Original. E não para por aí, além de outras marcas do líquido precioso, também compõem o leque de opções variados tipos de cachaça, como a de fabricação da casa, que leva seu nome, e a tradicional Germana.

O Cana Benta segue uma tendência de resgate dessa cultura antiga de boteco, o que é louvável. Ainda assim, para ser eficaz e se destacar dentre outras boas opções, é preciso um diferencial que fidelize o cliente. Alguns locais se notabilizam pelo atendimento, o que não é o forte do Cana Benta que não faz cerimônias para dispensar o cliente na hora que julga conveniente. Tal atitude é totalmente o oposto do atendimento atencioso, cerimonial e distinto, com o frequentador - um dos atributos mais característicos dos saudosos botecos.

É complexa a receita que cria um bar de sucesso e o Cana Benta é a prova de que nem apenas de decoração e cervejas bastam para balancear a equação.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Prêmios para uma porção de botecos


Boêmios e botequeiros de Curitiba, uni-vos! Teve início no último dia 25 o famoso festival Boteco Bohemia, promovido pela tradicional marca brasileira de cervejas. De um modo bem geral, a ideia do projeto é a de uma competição saudável entre 20 bares da cidade para eleger, principalmente, o melhor petisco e o melhor garçom da cercania.

Em 20 dias de disputa (que dura até 13/09), os estabelecimentos escolhidos irão oferecer a seus clientes um prato novo de seu cardápio, elaborado excepcionalmente para o concurso. É o caso do Siri na Toca da Mandioca do bar Baroneza. Numa mistura típica de boteco, o petisco junta bolinho de mandioca, carne de siri e pedaços de queijo coalho – notório candidato ao título (bem como o Baroneza, sério candidato a figurar nesta coluna nas próximas semanas).

Entre os outros dezenove bares estão casas já consagradas na cidade, como o Jacobina, o Cana Benta e o Bar do Edmundo – cada qual com seu petisco, como também ocorre com bares mais novos, que já começam a ganhar reconhecimento. E o melhor, em cada bar participante do concurso é possível deixar a sua nota referente ao prato, seu Garçom Nota 10, e outros quesitos como o melhor ritual de servir Bohemia e a avaliação do atendimento.

Avaliar, reconhecer e consagrar botecos é uma possibilidade de valor, que deve ser reconhecida no festival. Porém, não é aí que mora o principal mérito do Boteco Bohemia, mas, sim, em promover todos os estabelecimentos participantes e a tão querida – e por vezes injustiçada – cultura dos botecos. Ponto para a majestosa cerveja de Petrópolis,

E, para combinar com o todo este cenário, ninguém melhor que a majestade do samba. Representada por sua Velha Guarda, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela vem a Curitiba para a Festa de Saideira, de premiação do festival, marcada para o dia 19 de setembro. O estandarte dos imortais Seu Natal, Paulo e Claudionor é a atração principal do dia, que também conta com a banda Bangalafumenga, e os DJs Fausto e Patife.

Para dar uma olhada em todos os bares participantes e saber mais sobre o festival, acesse www.botecobohemia.com.br/curitiba, e faça sua programação de petiscos a serem experimentados. Tudo isso, é claro, pelo bem e pela continuidade desta cultura.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sorvetes revolucionários


No início do mês estive em viagem para Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP. Entre debates e pingas artesanais, não poderia deixar de conhecer os bares da cidade. Assim sendo, segue um textinho sobre o Che Bar.


O argentino Ernesto “Che” Guevara é um ícone da América Latina. Seus ideais revolucionários inspiraram uma série de movimentos políticos em países como Cuba e Bolívia. Camisetas com o rosto de Che ou suas frases mais famosas como: ”Hasta la victoria siempre”, são vistas todos os dias nas ruas e são vendidas a rodo por grifes famosas em uma curiosa contradição de ideologias.

A inspiração não parou por aí, a agradabilíssima cidade de Paraty - RJ abriga um bar totalmente inspirado no revolucionário bolivariano, é o Che Bar. A música latina é a trilha sonora do bar localizado no Centro Histórico da cidade litorânea. Os detalhes de decoração, apesar de óbvios, são elementares para a construção da atmosfera caribenha: além de fotos de Che e de Cuba, podem ser vistas bandeiras cubanas tanto nas paredes quanto nas toalhas das mesas.

A culinária é inspirada na gastronomia cubana, mas não é nada diferente do que se vê por aí. O que realmente chama a atenção são os sorvetes. Como em bar de revolucionário, Petit Gateau não tem vez, os carros chefes da casa em termos de sobremesa são os sorvetes de Mojito (tradicional bebida cubana composta por rum e hortelã), e o de framboesa com pimenta. Se soam estranhas as combinações, igualmente surpreendentes são os sabores das iguarias - Valem por si só a visita. Os preços não são lá muito comunistas, mas não fogem à regra do restante da cidade histórica. Lembre-se, para aproveitar bem o passeio em Paraty: hay que gastar, pero sín perder la ternura. Com o perdão da licença poética.


sexta-feira, 19 de junho de 2009

Quermesse o ano todo,sô

Não existiria mês mais propício que o de Junho para a coluna dedicar-se ao bar Quermesse. Em meio à temporada de festas juninas, o bar inaugurado a apenas três meses dá mostras de que poderá suprir aquela sensação de “quero mais” que as festividades desse mês costumam deixar ao longo do ano. Inspirado nas homônimas quermesses – festas tradicionais do interior – o bar inova ao montar seu arraial na cidade grande.

O local é amplamente decorado. Desde objetos elementares como bandeirinhas, chapéus de palha, garrafas e louças, até originalidades que de imediato chamam a atenção, como as placas indicadoras dos doces, do quentão e do caixa (que lá é bilheteria). Igualmente original e interessante é o local para fotos que fica logo na entrada do bar. Um quadro grande, de uma família caipira com um vão no local das cabeças, permite ao frequentador a possibilidade de registrar seu momento como um tradicional interiorano.

A simplicidade vai além da decoração. A vela que acompanha a mesa dos casais vem colocada no topo de uma garrafa já vazia de vinho, situação que remete à ideia de reaproveitar o que for possível – costume peculiar ao interiorano no imaginário popular. Outros fatores que realçam a simpática atmosfera do local são os guardanapos que acompanham as refeições: coloridos, tais como os de festas infantis e a música ao vivo – composta por apenas um cantor e violeiro que faz da MPB, o som ambiente.

E já que chegamos às refeições, essas são um dos pontos altos do bar, iniciando pelo cardápio. O cliente escolhe seu prato em folhas impressas e anexadas a encartes de discos de compositores nacionais, como Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Quanto às opções, são obviamente brasilidades. É possível comer o tradicional “bife sujo” em variadas combinações, além de porções como o frango à passarinho e bolinho de carne seca. Mas o que chama a atenção realmente é o “cachorro quente de quermesse”. Em pão francês ou baguete, a receita referência das festas juninas é um tiro certeiro da casa. No Quermesse é possível comer o tradicional sanduíche com vinas, molho de tomate e vinagrete o ano todo.

Se montar um bar nesses moldes originais traz uma impressão de coragem, essa passa ser uma certeza depois de observadas algumas atitudes dos proprietários. O bar não exige a cobrança dos 10%, mas deixa uma caixa próxima a bilheteria para que o cliente, se achar justo, dar sua contribuição. Também é opcional o pagamento do couvert artístico e, não obstante, no cardápio consta o telefone do Procon para eventuais reclamações. Outro destaque é o mural de recados, que não parece sofrer nenhum tipo de censura da casa. Atitudes simples e corajosas que sem dúvidas conquistam o cliente – que se sente valorizado.

O resumo endereçado a um dos discos de Vinícius de Moraes, que compõe o cardápio do local, chega a suscitar dúvidas se não teria escrito por encomenda para o bar. “Numa receita bem brasileira, temperada pelo contraste, Vinícius mesclou casa-grande e senzala...”.

O bar Quermesse fica na Rua Carlos Pioli, 1513 e atende de segunda a sexta das 11e30 às 14 horas. Nos sábado abre para o almoço do meio dia às 16, e a noite das 18 até as 23 horas. O telefone é o 3026-6676.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Doutor em MPB







Advogado por formação e músico por natureza, Riad Bark canta e encanta

No ano de 1979, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) formava mais uma turma do curso de direito. Entre os formandos, Riad Bark, 54, realizava o sonho de muitos, obtia o diploma da consagrada universidade. Mas a vida lhe reservava muito mais realizações do que a advocacia poderia lhe proporcionar. Se a empatia do “turco” poderia lhe credenciar sucesso em uma série de profissões, inclusive no direito, certamente nenhuma delas o permitiria alçar voos tão longos como a carreira de músico e proprietário de bar lhe possibilitaram.


Exerceu a advocacia na área trabalhista por cerca de sete anos. Obteve certo êxito profissional trabalhando em prefeituras, mas, ainda assim, seu histórico de vida permite facilmente a compreensão relativa à mudança tão drástica de ofício. Componente de uma família que respira música, Riad já teve contato com o canto desde cedo, com o coral da família Bark, composto por ele e seus irmãos. E foi para unir o talento, o prazer e o trabalho que Riad abriu seu bar, o Ponto Final. Então, 1987 seria marcado como o ano em que a classe trabalhadora perderia um de seus defensores, para a MPB ganhar um de seus baluartes. No comando do reduto boêmio - tão original quanto duradouro-, Riad consegue manter a excelência e as raízes até hoje, fato cada vez mais raro no ramo de casas noturnas.


Se a interferência da família de Riad o auxiliou para identificar seu dom, com certeza não foi a última vez que exerceu sua influência na vida do cantor. Ao contrário do que a vida boêmia de Riad poderia sugerir, as referências familiares podem ser notadas em seu ambiente de trabalho. O quibe, especialidade do bar do cantor, é preparado por sua mãe. Riad inclusive é extremamente modesto – tal como um bom filho – ao creditar o diferencial do Ponto Final ao quitute materno: “Acho que o bar não tem nada de mais. Eu me esforço, tento fazer o que o pessoal gosta. O quibe que minha mãe faz que é o diferencial único”, confidencia.


E o resto da família? Estão juntos também. As duas filhas são frequentadoras assíduas do bar, enquanto seu sobrinho anota os pedidos dos clientes e sua esposa, Marlene, é responsável pelo caixa do estabelecimento. Essa proximidade que Riad mantém entre sua família e seu local de trabalho falam por si só sobre sua personalidade afetiva, o legítimo paizão. Além disso, não precisa nem inventar desculpas para ficar até tarde no bar com os amigos. Precisa de mais?


Com seu tradicional bigode, cabelos escovados para trás e a barriga saliente – que demonstra sua autoridade botequeira – Riad sobe ao palco do Ponto Final por volta das 23 horas nas sextas-feiras e sábados, únicos dias em que o bar abre. Ao longo da noite, passeia pelo seu repertório, atende aos pedidos dos clientes e amigos, e como se fosse apenas mais um dos frequentadores assíduos do local, degusta doses e mais doses de Guaraná Diet com Bacardi: “Whisky jamais!”, exclama Riad para depois explicar como evoluiu das doses de conhaque, passou pela fase da gim tônica, da cuba, até culminar no estágio atual, que ele mesmo denonima como “meia-cuba”. “Se eu tomar 15 doses de cuba, é bem menos do que 15 doses de conhaque”, justifica coerentemente o cantor.


A personalidade simples de Riad se reflete no ambiente do Ponto Final e, em cada momento da noite, bar e cantor unem-se mais e mais para, em uníssono, trazer de volta aos mais antigos “aqueles tempos que não voltam mais”, e também para despertar nos jovens a paixão pela MPB. É com irreverência que Riad conta sobre essa união de gerações: “O bar é frequentado por todas as camadas e idades; eu estou na terceira geração já. Tem uma menina que vem aqui que diz ‘meu avô adorava tua voz’”.


Tal como é evidente o toque de cantor em cada detalhe de seu bar, não é exagero afirmar que, quando Riad evoca canções de artistas como Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Tom Jobim ou Toquinho, é como se os quadros destes grandes nomes da música ganhassem vida e sentassem nas mesas quadradas do local para apreciar o show. Falando em mesas, essas - ao lado das cadeiras - parecem dançar timidamente quando os mestres Cartola, Noel Rosa e Adoniran Barbosa se fazem presentes na voz do bardo. Até mesmo as paredes verdes e antigas cumprem sua função, que vai além de reter toda a fumaça do local, fato que, apesar de não ser exatamente um problema, às vezes incomoda o cantor: “No meu bar muita gente reclama da fumaça, se vier aquela lei que tem em São Paulo, eu não ligaria tanto assim”, afirma Riad, referindo-se à lei que proíbe o fumo em locais fechados. O vozeirão de Riad, projetado para fora do bar, é o anúncio da grande noite que se aproxima, sendo essa a principal e verdadeira função das paredes locais.


Mesmo com todo o sucesso profissional e pessoal, Riad é precavido e se antecipa a qualquer infortúnio que a vida possa lhe reservar - continua pagando anualmente a OAB. “Vai que um dia eu perco a voz”, justifica. Os amantes da MPB fazem votos sinceros para que isto jamais aconteça – ou ao menos que Riad seja eterno enquanto dure.
O Ponto Final fica na Rua Portugal 715 e o telefone para contato é o 3024-0398. O bar abre sextas e sábados das 22h30 até o último cliente.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Cerveja também no frio: Cervejaria da Vila


Chega o frio, aquela preguiça de sair de casa, e as pessoas, quando ousam ir à rua, logo pensam em lugares aconchegantes, com comidas e bebidas mais quentes e fortes. Ainda assim, tem gente que não larga a cerveja gelada por nada e, para sua sorte, tem bares que também não. Salve a Cervejaria da Vila!

Ela é uma das poucas casas de Curitiba voltada quase exclusivamente a cervejas, com uma variedade surpreendente de rótulos internacionais, vindos de países como Inglaterra, Alemanha e Bélgica. No entanto, a cara do bar é de uma cerveja brasileira. Catarinense, para ser mais específico.

Boa parte da carta de chopes e garrafas da Eisenbahn está presente na Cervejaria da Vila, para alegria e apreciação de apaixonados e também novos conhecedores da marca. Criada em 2002 e com sede em Blumenau, a Eisenbahn começou pequena, mas ambiciosa, desde sempre com o objetivo de fazer uma cerveja de nível internacional. Tida como cervejaria artesanal, produz 1,8 milhão de litros por ano, divididos por 15 diferentes tipos da bebida, todos com características individuais e graduação alcoólica que pode chegar a 11,5%, muito acima das cervejas comuns.

Na Cervejaria da Vila, tanto as garrafas quanto os chopes convencionais da marca catarinense custam por volta de cinco, seis reais. Vale a pena pedi-los junto de uma das porções da casa, como a de batata frita ou a de alcatra. Com mais fome, a batata suíça é um ótimo pedido, ainda mais se for com recheio de lingüiça Blumenau. Outros pratos também são servidos na casa, sempre com um preparo e qualidade muito bons, quantidade e preços regulares.

Durante a semana, alternam-se promoções de happy hour, (envolvendo principalmente as cervejas e chopes Eisenbahn) assim como bandas de folk, rock’n’roll e country.

Um último destaque para cerveja vai à Diabólica, produto artesanal, feito em Curitiba mesmo e uma delícia. Trata-se de uma Indian Pale Ale (tipo da cerveja), de cor vermelha e muito encorpada. O nome vem de sua graduação alcoólica: 6,66%. Uma garrafa de 600ml da Diabólica é vendida por R$15,00 na Cervejaria da Vila – que, como deu para perceber, é um bar diferente, com cervejas diferentes e que têm valores acima das comuns. Porém, não se deixe assustar pelo preço de uma garrafa: para sair um pouco do comum e conhecer mais do mundo das cervejas, vale uma visita à Cervejaria da Vila. Saúde!


A Cervejaria da Vila fica na rua Mateus Leme, nº 2631. Funciona de segunda a sexta, das 18h à 1h, e nos sábados, das 15h à 1h.

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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Democrático

“Eu vou ao samba porque longe dele eu não posso viver” caberia de resposta não só a Paulinho da Viola, mas a qualquer cidadão que integra a boa roda do Aos Democratas, principalmente numa sexta ou sábado daqueles que se quer comemorar algo – mais um ano, ou simplesmente mais um dia de vida.

O clima é de eterna festa, o bom humor reina no ritmo de atabaques e pandeiros. É difícil ver cara feia no Aos Democratas. Até porque todo o bar conspira em favor da descontração. Como exemplo, a decoração é composta por camisas de clubes e outros adereços futebolísticos, assim como por caricaturas de grandes nomes da música brasileiríssima. Por sua vez, a música (primordialmente o samba, mas não raro ou bossa nova, ou MPB, ou samba rock, ou choro, ou o que for) mesmo quando a letra é triste, tem alegria na voz e na levada, o que faz com que o Aos Democratas – na humilde opinião dos escritores – tenha uma das melhores músicas ao vivo da cidade.

Outro destaque, como não poderia deixar de ser, vai ao chopp servido na casa, quase obrigatório na noite e que é responsável por algumas certificações que o bar ostenta orgulhoso, atribuídas pela marca de excelência da Ambev, chamada Real Academia do Chopp. Aqui vale uma ressalva, se o chopp é realmente bom, a maneira como é servido, em alguns casos, põe tudo a perder. É um daqueles bares em que o garçom não espera a afetuosa solicitação do amigo cliente, mas já enche a bandeja e sai a distribuir calderetas e canecas a quem estiver com copos meio vazios. Além de não ser uma prática agradável, o chopp por vezes perde aquele gosto de tirado na hora e não chega tão gelado a mesas e goelas.

Da chopeira para a cozinha, merecem destaque as primorosas porções de bolinhos de macaxeira com carne-seca e o carro-chefe da casa, o Frango Democrata. Esta última composta por frango empanado com um tempero da casa, é presença quase certeira nas mesas dos torcedores que lá se reúnem para assistir os jogos de futebol de seus times.

Os telões exibindo as partidas também constituem o rol de atrativos do Aos Democratas. É possível encontrar diversos grupos, até mesmo de torcedores rivais, dividindo o mesmo espaço em pacífica convivência. Uma atitude – com o perdão do trocadilho – Democrática.

O Aos Democratas parece ter encontrado a melodia do sucesso ao conciliar no mesmo ambiente tantas paixões nacionais em harmonia: Chopp, samba, futebol e gente bonita – os acordes e notas da partitura escrita desde 2003, e em constante atualização. E é com outro ensinamento do mestre Paulinho da Viola que reforçamos que o bar merece a vista, afinal: “Ninguém pode explicar a vida num samba curto”.

O Aos Democratas fica na Rua Doutor Pedrosa, nº 485, e abre de terça a sexta às 18h e nos finais de semana a partir das 15h, todos os dias até o último cliente. O telefone para reservas é o 3024-4496.



Por Fernando de Castro e Luiz Felipe Marques

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Kaes Bar: Clima amigável a um preço atraente

Bar bom é aquele que te faz sentir-se em casa e esse quesito o Kaes Bar cumpre com excelência. Localizado no Cabral, o bar veio suprir a carência da região em estabelecimentos do tipo, e acertou a mão. O Kaes, que abriu em 2007 pertence aos irmãos Kariston e Esdras – o nome do local vem das iniciais dos dois – e desde então se tornou ponto de encontro oficial de jovens de variadas tendências.

Tudo por lá remete à sensação de estar na sua casa ou quem sabe na de um amigo, começando pelo fato de o bar ter sido acertadamente instalado em um sobrado. Na casa do Kaes tem sala de estar, sala de visitas, sala de jogos – onde é possível jogar sinuca por módicos dois reais – e claro, cozinha.

Apesar de não ser a especialidade do bar, a cozinha atende bem à necessidade dos famintos da madrugada. Com as opções de sanduíches, nachos e porções, o cliente nem precisa se dar ao trabalho de procurar um cachorro quente de rua aberto, mata a fome por lá mesmo.

Mais ainda, o Kaes possui alguns diferenciais elementares para a compreensão do sucesso do bar em ser a segunda casa dos notívagos. Um deles é o mágico Roberto Polini que aos sábados exibe seus truques pelas mesas e balcões do estabelecimento, arrancando exclamações até mesmo dos mais céticos. Um show à parte. Outro fator que influi consideravelmente é o musical. Apesar de contar com dvds de excelente qualidade - mostrados em duas televisões - o Kaes também exibe o repertório que algum cliente eventualmente leve e queira ouvir e assistir, uma medida simples e que agrada muito aos frequentadores.

O clima de amizade é algo que chama a atenção por lá. Basta um olhar breve para perceber como o local é apinhado de grupos que fazem do Kaes seu reduto de encontro. Até os garçons entram nessa. Desde o rapaz que cuida da porta até o preparador dos narguiles, todos são amigos e frequentadores do local, o que se provou ser uma jogada inteligente. Ao mesmo tempo em que os proprietários possuem um staff confiável e disposto, é difícil apontar quem não gostaria de ganhar uma graninha pra trabalhar no bar.

Esse sucesso todo não seria possível isolado de um quesito fundamental - o preço. Justa e acessível, a quantia cobrada pelos proprietários é o ingrediente principal para familiarizar o consumidor ocasional e transformá-lo no cliente de todo final de semana. O narguile, por exemplo, que dispõe de enorme popularidade no bar, em outros locais não custa menos de R$20. No Kaes sai por seis, e seu refil quatro. A cerveja Heineken de 600ml custa R$4,30 e nem precisa da tradicional promoção do “baldinho” oferecida por outros lugares, o preço em si já é o convite para o retorno do cliente. Não bastasse a pechincha que é consumir no Kaes, o preço de entrada é também democrático – Livre durante a semana, e nunca mais de R$2,50 nos finais de semana e feriados.

O Kaes fica na Rua Manoel Pedro 715, e atende de terça a domingo das 19 e 30, até o último cliente – que costuma demorar pra ir embora. O telefone é 3253-3997 e é possível fazer reserva para eventos.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Dá licença de contá

Comecinho de 2006 e nascia o bar que acabou dando origem ao Saudosa Maloca, tema da coluna de hoje. Era o Esquina Brasil, cujo nome vinha justamente da localização, em mais uma esquina, dessa vez da Senador Xavier com a Duque de Caxias. Já o sobrenome Brasil descendia da decoração, do ambiente e da música: capas de discos dos nossos artistas por todo o bar, uma gostosa descontração todos os dias e samba – de altíssima qualidade.

Depois de um tempo, porém, as coisas mudaram. Os finais de semana sempre de samba receberam dias de pop rock nacional e estrangeiro. Um pouco descaracterizado, quase no fim de 2008 o bar foi vendido e no ano seguinte, eis que surge o Saudosa Maloca.

Com o nome inspirado numa das maiores obras do também saudoso Adoniran Barbosa, o intuito da casa é fazer uma referência a capital paulista, alguns de seus ilustres cidadãos, suas tradições e seu samba. Dessa forma, quem já conhecia e gostava do velho Esquina, sente-se novamente abrigado por um bar, e logo ali, no mesmo endereço.

Diferente de casas que hoje atraem um grande público, o Saudosa Maloca não tem por objetivo chamar bandas jovens de samba, samba rock, bossa e MPB para tocar novos sucessos. Nada disso. A música da casa é de grande qualidade, dando ampla atenção para aquelas canções eternas, que nunca se cansa de escutar. Nos sábados, por exemplo, quem toca lá é O Mimeográfo, trio formado por Amauri, Edson e Kalil. Grupo simples, de ótima música e gostoso de ouvir como poucos hoje.

Da música para o cardápio, o bar apresenta pratos diferentes mais elaborados e massas, mas sem deixar de lado – para agrado de paulistanos, curitibanos, novos baianos e todos mais brasileiros – as queridas porções, bem servidas e sem machucar muito o bolso. Para dar mais um toque da terra de Adoniran e dos Demônios, é servido um sanduíche de mortadela do mercadão.

Um bom ambiente, samba na medida e boas porções, porém, iam se sentir sozinhos, pobres coitados, sem pelo menos um copo com colarinho, seja do chopp (preferencialmente o Brahma) ou da cerveja (agora a vez da Original), que podem ser escolhidos entre algumas marcas. Mais uma vez, preços não abusivos.

O Saudosa funciona de segunda a sábado, a partir das 17h. Até as 19h a entrada é franca, a partir deste horário são cobrados R$ 5,00 por pessoa, valor convidativo a quem ama, gosta, sente saudade, não conhece direito, ou mesmo ainda não aprecia, mas quer viver um pouco, mesmo que pelo tempo de dois chopes, da querida cidade de São Paulo.

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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ao Distinto Cavalheiro: Cara de antigo com cheiro de novo




A esquina da Rua Saldanha Marinha com a Visconde do Rio Branco abriga o agradável e charmoso bar “Ao Distinto Cavalheiro”. Aliás, é curioso como os bares bons possuem tendência a se localizarem nas esquinas. Não sei se por convenção ou mero acaso, o fato é que soa mais atrativa a tradicional explicação - “na esquina A, com a rua B, bem facinho”.

De volta ao Distinto, como é chamado carinhosamente pelos seus frequentadores mais assíduos, a decoração do local é diretamente responsável pela atmosfera acolhedora. Inspirado nos botequins dos anos 40 e 50, o que chama a atenção logo de cara são os instrumentos musicais pendurados no teto – pandeiro, caixa, surdo, viola e trompete – alguns dos componentes da banda imaginária do bar. O som ambiente, como não poderia deixar de ser, é tipicamente brasileiro. Bossa Nova, Chorinho, Samba e MPB embalam os chopes e porções dos boêmios locais.

A culinária é outro atrativo, começando pela cumbuca de caldinho de feijão que fica no balcão e é servida pelo dono do bar, que sempre está lá batendo um papo com os clientes. Merecem destaque também a carne de onça e o pernil quatro queijos, ótimas pedidas para acompanhar os jogos do seu time de futebol na TV instalada no salão principal.

A casa conta com uma variedade grande de cachaças, inclusive uma de fabricação própria e as únicas cervejas servidas são as importadas, como a uruguaia Patrícia. O chope é a melhor referência (e melhor pedida) do bar - bem tirado e na temperatura ideal - revela o que é o grande segredo do Distinto e me motivou a escrever esta coluna: o esmero.

O bar é pequeno, tem lugar para aproximadamente 50 pessoas e conta com uma variedade decorativa que faz inveja a muitos bares maiores e mais falados pela mídia. Além dos citados instrumentos musicais, as paredes e estantes são forradas de garrafas, livros, charges, recortes de jornais, flâmulas, anúncios culturais antigos e recentes. Opa, mas tudo isso em um espaço tão reduzido? Essa é a impressão que o texto pode causar, mas uma única visita, por mais breve que seja, é suficiente para que o novato compreenda a cuidadosa e apurada noção de espaço de que produziu o ambiente.

O esmero também se faz presente no tratamento com o cliente, que lá é sempre tratado muito bem seja novo ou antigo. Esses antigos, aliás, têm até suas próprias garrafas expostas atrás do balcão, e o que é mais curioso, apenas com o primeiro nome anotado, o que reforça a familiaridade do local.

Um bar novo, com aura antiga, esse é o “Ao Distinto Cavalheiro”, que fica localizado na Saldanha Marinho 894, e atende - de segunda a sexta a partir das 17e30 e sábados a partir do meio dia – sempre até o último cliente.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Elegância clássica de boteco: Mercearia Fantinato


Numa esquina formada pela Mateus Leme com a Albano Reis, sem chamar muita atenção, numa timidez daquelas que pouco se vê hoje, lá está a Mercearia Fantinato – mercearia há 55, 56 anos; bar há quase dez meses.

Muitos que a visitam pela primeira vez podem pensar que este é um daqueles clichês de bar novo travestido de boteco velho, com as paredes forradas de antiguidades, e mesas e cadeiras que lembram a casa da vó. Não passa de uma impressão. Mesmo com as atividades de bar iniciadas há pouco tempo, o Fantinato manteve o ar da antiga mercearia, sendo original, não fantasiado. A simplicidade no atendimento e no cardápio apenas confirma isso.

Porções, sanduíches e pratos são apresentados sempre com um toque de requinte, mesmo sendo reconhecidos de longe como “artesanais”, se é que pode ser classificado assim. As porções de bife azedo e de batata frita com molho de limão são respeitosas. Mas o destaque fica mesmo é para a carne-de-onça, preparada, na mesa em que o pedido foi feito, pelo baluarte da casa, o garçom Diogo. Ele traz todos os ingredientes do prato (a carne crua, o conhaque, a cebola, o alho, o azeite de oliva...) e lá mesmo coloca, mistura e prepara tudo com maestria, como se esperasse uma nota dos clientes/jurados. Quadradinhos de uma boa broa preta vêm com o prato, que praticamente exige também a companhia de uma cerveja, podendo ser escolhida entre diversos rótulos e num preço razoável.

Por falar em companhia, o público do local é variado. Desde os mais velhos, que presenciaram tempos de verdadeira boemia, até jovens com inveja de não terem vivido esta época. Todos convivendo bem, tomando cerveja lado a lado. O clima não chega a ser de festa, descontração – calma lá. O que se vê é talvez descompromisso, a delícia de passar um tempo, seja no começo da tarde de sábado, ou no happy hour, sem mais obrigação nenhuma para o dia.

Para completar o quadro, faz falta uma música ao vivo, um samba ou chorinho, mesmo que de poucos músicos. A dica já foi anotada por Wlamir, dono do estabelecimento – esse bar-mercearia, que com seu ambiente, comida e, principalmente, informalidade (de exemplo, o garçom, mestre-sala Diogo, que termina o expediente sentado à mesa, junto com os últimos clientes, contando suas histórias de bar) é um tipo de lugar que muitos achavam que não existia mais.


A Mercearia Fantinato funciona de segunda a sábado, das 17h à 1h, e seu endereço é rua Mateus Leme, 2553 – Bom Retiro.


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Bar do Pasquale sobrevive no coração de Curitiba





Localizado no meio do Passeio Público, o Restaurante do Passeio, mais conhecido como Bar do Pasquale, é um dos mais tradicionais redutos da boemia curitibana. O quiosque amplo e arejado já foi ponto de encontro de Jaime Lerner com seus eleitores, o que ainda acontece hoje, porém com menos frequência. Infelizmente, tal como seu frequentador de renome, a popularidade do Pasquale parece ter diminuído com o passar dos anos.

Como todo bar que pretende cativar os boêmios, cerveja gelada é norma da casa, nesse quesito o tempo não trouxe prejuízos ao local. As porções são bem servidas e atendem bem ao gosto da distinta classe dos freqüentadores de boteco. Ainda sobre as porções, pedi uma de bolinho de macaxeira com carne de sol e uma de pasteizinhos de queijo, a primeira veio com 19 unidades, a segunda com 21. Tudo bem, contribuiu para a alternatividade do local, boteco bom não é certinho mesmo.


O bom de frequentar lugares como o Pasquale é sentir-se mais integrado à cultura curitibana, prova disso é que o bar foi escolhido por Dante Mendonça para ser o palco do lançamento de seu novo livro, “Curitiba - Melhores defeitos e piores qualidades”. Estão lá presentes vários componentes do folclore curitibano, como os senhores jogando xadrez e dominó e as senhoras alimentando os pombos. Eventos clássicos e lamentavelmente cada vez mais nostálgicos, talvez por termos trocado os parques pelos shoppings, ou por estarem rareando realmente.


Um fator alarmante: talvez pelo inesperado número de pessoas presentes no dia do lançamento do livro, faltou cerveja Original ainda cedo da tarde. Logo a Original, elo de ligação entre as gerações boêmias e especialmente em um sábado, quando a cervejinha é acompanhante obrigatória da feijoada. Infração gravíssima.


Sobre a feijoada: Completa, servida em um extenso Buffet é do tipo “tudo separado”, e com o preço justo se comparado à qualidade. Vale a pena apreciar em um sábado ensolarado, tendo a tranqüilidade do parque para desfrutar após o almoço. De quebra, a partir das 13 horas uma banda de chorinho faz o fundo musical com muita competência, contribuindo diretamente para a atmosfera agradável do local.


Impossível deixar de criticar a demora dos garçons para atender e trazer os pedidos. Apesar de bastante simpáticos, a diminuição da clientela parece ter acostumado mal os funcionários do bar. E esperar para pagar a conta é o tipo de coisa que irrita gregos, troianos, boêmios, conservadores, lernistas e requianistas.


Falando em Lerner, é dele uma das frases que melhor define o que representa o Pasquale na cultura curitibana: “O Pasquale é a nossa praia. Referência de gerações. Não imagino Curitiba sem o Passeio, nosso primeiro Parque, nem o Passeio sem o Pasquale, nosso anfitrião de sempre...”


O Restaurante do Passeio, ou Bar do Pasquale atende de Terça a Domingo, das 11 às 19 horas. O endereço é Rua Luiz Leão, sem número no Centro. Para reservas o telefone é o 3322-7067.