Comentários, opiniões, crônicas e pitacos sobre bares, botecos e tudo mais que os cerca. Informações diversas atualizadas constantemente e toda sexta-feira o perfil do estabelecimento da rodada, não deixe de conferir!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Quermesse o ano todo,sô

Não existiria mês mais propício que o de Junho para a coluna dedicar-se ao bar Quermesse. Em meio à temporada de festas juninas, o bar inaugurado a apenas três meses dá mostras de que poderá suprir aquela sensação de “quero mais” que as festividades desse mês costumam deixar ao longo do ano. Inspirado nas homônimas quermesses – festas tradicionais do interior – o bar inova ao montar seu arraial na cidade grande.

O local é amplamente decorado. Desde objetos elementares como bandeirinhas, chapéus de palha, garrafas e louças, até originalidades que de imediato chamam a atenção, como as placas indicadoras dos doces, do quentão e do caixa (que lá é bilheteria). Igualmente original e interessante é o local para fotos que fica logo na entrada do bar. Um quadro grande, de uma família caipira com um vão no local das cabeças, permite ao frequentador a possibilidade de registrar seu momento como um tradicional interiorano.

A simplicidade vai além da decoração. A vela que acompanha a mesa dos casais vem colocada no topo de uma garrafa já vazia de vinho, situação que remete à ideia de reaproveitar o que for possível – costume peculiar ao interiorano no imaginário popular. Outros fatores que realçam a simpática atmosfera do local são os guardanapos que acompanham as refeições: coloridos, tais como os de festas infantis e a música ao vivo – composta por apenas um cantor e violeiro que faz da MPB, o som ambiente.

E já que chegamos às refeições, essas são um dos pontos altos do bar, iniciando pelo cardápio. O cliente escolhe seu prato em folhas impressas e anexadas a encartes de discos de compositores nacionais, como Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Quanto às opções, são obviamente brasilidades. É possível comer o tradicional “bife sujo” em variadas combinações, além de porções como o frango à passarinho e bolinho de carne seca. Mas o que chama a atenção realmente é o “cachorro quente de quermesse”. Em pão francês ou baguete, a receita referência das festas juninas é um tiro certeiro da casa. No Quermesse é possível comer o tradicional sanduíche com vinas, molho de tomate e vinagrete o ano todo.

Se montar um bar nesses moldes originais traz uma impressão de coragem, essa passa ser uma certeza depois de observadas algumas atitudes dos proprietários. O bar não exige a cobrança dos 10%, mas deixa uma caixa próxima a bilheteria para que o cliente, se achar justo, dar sua contribuição. Também é opcional o pagamento do couvert artístico e, não obstante, no cardápio consta o telefone do Procon para eventuais reclamações. Outro destaque é o mural de recados, que não parece sofrer nenhum tipo de censura da casa. Atitudes simples e corajosas que sem dúvidas conquistam o cliente – que se sente valorizado.

O resumo endereçado a um dos discos de Vinícius de Moraes, que compõe o cardápio do local, chega a suscitar dúvidas se não teria escrito por encomenda para o bar. “Numa receita bem brasileira, temperada pelo contraste, Vinícius mesclou casa-grande e senzala...”.

O bar Quermesse fica na Rua Carlos Pioli, 1513 e atende de segunda a sexta das 11e30 às 14 horas. Nos sábado abre para o almoço do meio dia às 16, e a noite das 18 até as 23 horas. O telefone é o 3026-6676.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Doutor em MPB







Advogado por formação e músico por natureza, Riad Bark canta e encanta

No ano de 1979, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) formava mais uma turma do curso de direito. Entre os formandos, Riad Bark, 54, realizava o sonho de muitos, obtia o diploma da consagrada universidade. Mas a vida lhe reservava muito mais realizações do que a advocacia poderia lhe proporcionar. Se a empatia do “turco” poderia lhe credenciar sucesso em uma série de profissões, inclusive no direito, certamente nenhuma delas o permitiria alçar voos tão longos como a carreira de músico e proprietário de bar lhe possibilitaram.


Exerceu a advocacia na área trabalhista por cerca de sete anos. Obteve certo êxito profissional trabalhando em prefeituras, mas, ainda assim, seu histórico de vida permite facilmente a compreensão relativa à mudança tão drástica de ofício. Componente de uma família que respira música, Riad já teve contato com o canto desde cedo, com o coral da família Bark, composto por ele e seus irmãos. E foi para unir o talento, o prazer e o trabalho que Riad abriu seu bar, o Ponto Final. Então, 1987 seria marcado como o ano em que a classe trabalhadora perderia um de seus defensores, para a MPB ganhar um de seus baluartes. No comando do reduto boêmio - tão original quanto duradouro-, Riad consegue manter a excelência e as raízes até hoje, fato cada vez mais raro no ramo de casas noturnas.


Se a interferência da família de Riad o auxiliou para identificar seu dom, com certeza não foi a última vez que exerceu sua influência na vida do cantor. Ao contrário do que a vida boêmia de Riad poderia sugerir, as referências familiares podem ser notadas em seu ambiente de trabalho. O quibe, especialidade do bar do cantor, é preparado por sua mãe. Riad inclusive é extremamente modesto – tal como um bom filho – ao creditar o diferencial do Ponto Final ao quitute materno: “Acho que o bar não tem nada de mais. Eu me esforço, tento fazer o que o pessoal gosta. O quibe que minha mãe faz que é o diferencial único”, confidencia.


E o resto da família? Estão juntos também. As duas filhas são frequentadoras assíduas do bar, enquanto seu sobrinho anota os pedidos dos clientes e sua esposa, Marlene, é responsável pelo caixa do estabelecimento. Essa proximidade que Riad mantém entre sua família e seu local de trabalho falam por si só sobre sua personalidade afetiva, o legítimo paizão. Além disso, não precisa nem inventar desculpas para ficar até tarde no bar com os amigos. Precisa de mais?


Com seu tradicional bigode, cabelos escovados para trás e a barriga saliente – que demonstra sua autoridade botequeira – Riad sobe ao palco do Ponto Final por volta das 23 horas nas sextas-feiras e sábados, únicos dias em que o bar abre. Ao longo da noite, passeia pelo seu repertório, atende aos pedidos dos clientes e amigos, e como se fosse apenas mais um dos frequentadores assíduos do local, degusta doses e mais doses de Guaraná Diet com Bacardi: “Whisky jamais!”, exclama Riad para depois explicar como evoluiu das doses de conhaque, passou pela fase da gim tônica, da cuba, até culminar no estágio atual, que ele mesmo denonima como “meia-cuba”. “Se eu tomar 15 doses de cuba, é bem menos do que 15 doses de conhaque”, justifica coerentemente o cantor.


A personalidade simples de Riad se reflete no ambiente do Ponto Final e, em cada momento da noite, bar e cantor unem-se mais e mais para, em uníssono, trazer de volta aos mais antigos “aqueles tempos que não voltam mais”, e também para despertar nos jovens a paixão pela MPB. É com irreverência que Riad conta sobre essa união de gerações: “O bar é frequentado por todas as camadas e idades; eu estou na terceira geração já. Tem uma menina que vem aqui que diz ‘meu avô adorava tua voz’”.


Tal como é evidente o toque de cantor em cada detalhe de seu bar, não é exagero afirmar que, quando Riad evoca canções de artistas como Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Tom Jobim ou Toquinho, é como se os quadros destes grandes nomes da música ganhassem vida e sentassem nas mesas quadradas do local para apreciar o show. Falando em mesas, essas - ao lado das cadeiras - parecem dançar timidamente quando os mestres Cartola, Noel Rosa e Adoniran Barbosa se fazem presentes na voz do bardo. Até mesmo as paredes verdes e antigas cumprem sua função, que vai além de reter toda a fumaça do local, fato que, apesar de não ser exatamente um problema, às vezes incomoda o cantor: “No meu bar muita gente reclama da fumaça, se vier aquela lei que tem em São Paulo, eu não ligaria tanto assim”, afirma Riad, referindo-se à lei que proíbe o fumo em locais fechados. O vozeirão de Riad, projetado para fora do bar, é o anúncio da grande noite que se aproxima, sendo essa a principal e verdadeira função das paredes locais.


Mesmo com todo o sucesso profissional e pessoal, Riad é precavido e se antecipa a qualquer infortúnio que a vida possa lhe reservar - continua pagando anualmente a OAB. “Vai que um dia eu perco a voz”, justifica. Os amantes da MPB fazem votos sinceros para que isto jamais aconteça – ou ao menos que Riad seja eterno enquanto dure.
O Ponto Final fica na Rua Portugal 715 e o telefone para contato é o 3024-0398. O bar abre sextas e sábados das 22h30 até o último cliente.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Cerveja também no frio: Cervejaria da Vila


Chega o frio, aquela preguiça de sair de casa, e as pessoas, quando ousam ir à rua, logo pensam em lugares aconchegantes, com comidas e bebidas mais quentes e fortes. Ainda assim, tem gente que não larga a cerveja gelada por nada e, para sua sorte, tem bares que também não. Salve a Cervejaria da Vila!

Ela é uma das poucas casas de Curitiba voltada quase exclusivamente a cervejas, com uma variedade surpreendente de rótulos internacionais, vindos de países como Inglaterra, Alemanha e Bélgica. No entanto, a cara do bar é de uma cerveja brasileira. Catarinense, para ser mais específico.

Boa parte da carta de chopes e garrafas da Eisenbahn está presente na Cervejaria da Vila, para alegria e apreciação de apaixonados e também novos conhecedores da marca. Criada em 2002 e com sede em Blumenau, a Eisenbahn começou pequena, mas ambiciosa, desde sempre com o objetivo de fazer uma cerveja de nível internacional. Tida como cervejaria artesanal, produz 1,8 milhão de litros por ano, divididos por 15 diferentes tipos da bebida, todos com características individuais e graduação alcoólica que pode chegar a 11,5%, muito acima das cervejas comuns.

Na Cervejaria da Vila, tanto as garrafas quanto os chopes convencionais da marca catarinense custam por volta de cinco, seis reais. Vale a pena pedi-los junto de uma das porções da casa, como a de batata frita ou a de alcatra. Com mais fome, a batata suíça é um ótimo pedido, ainda mais se for com recheio de lingüiça Blumenau. Outros pratos também são servidos na casa, sempre com um preparo e qualidade muito bons, quantidade e preços regulares.

Durante a semana, alternam-se promoções de happy hour, (envolvendo principalmente as cervejas e chopes Eisenbahn) assim como bandas de folk, rock’n’roll e country.

Um último destaque para cerveja vai à Diabólica, produto artesanal, feito em Curitiba mesmo e uma delícia. Trata-se de uma Indian Pale Ale (tipo da cerveja), de cor vermelha e muito encorpada. O nome vem de sua graduação alcoólica: 6,66%. Uma garrafa de 600ml da Diabólica é vendida por R$15,00 na Cervejaria da Vila – que, como deu para perceber, é um bar diferente, com cervejas diferentes e que têm valores acima das comuns. Porém, não se deixe assustar pelo preço de uma garrafa: para sair um pouco do comum e conhecer mais do mundo das cervejas, vale uma visita à Cervejaria da Vila. Saúde!


A Cervejaria da Vila fica na rua Mateus Leme, nº 2631. Funciona de segunda a sexta, das 18h à 1h, e nos sábados, das 15h à 1h.

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