Comentários, opiniões, crônicas e pitacos sobre bares, botecos e tudo mais que os cerca. Informações diversas atualizadas constantemente e toda sexta-feira o perfil do estabelecimento da rodada, não deixe de conferir!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Elegância clássica de boteco: Mercearia Fantinato


Numa esquina formada pela Mateus Leme com a Albano Reis, sem chamar muita atenção, numa timidez daquelas que pouco se vê hoje, lá está a Mercearia Fantinato – mercearia há 55, 56 anos; bar há quase dez meses.

Muitos que a visitam pela primeira vez podem pensar que este é um daqueles clichês de bar novo travestido de boteco velho, com as paredes forradas de antiguidades, e mesas e cadeiras que lembram a casa da vó. Não passa de uma impressão. Mesmo com as atividades de bar iniciadas há pouco tempo, o Fantinato manteve o ar da antiga mercearia, sendo original, não fantasiado. A simplicidade no atendimento e no cardápio apenas confirma isso.

Porções, sanduíches e pratos são apresentados sempre com um toque de requinte, mesmo sendo reconhecidos de longe como “artesanais”, se é que pode ser classificado assim. As porções de bife azedo e de batata frita com molho de limão são respeitosas. Mas o destaque fica mesmo é para a carne-de-onça, preparada, na mesa em que o pedido foi feito, pelo baluarte da casa, o garçom Diogo. Ele traz todos os ingredientes do prato (a carne crua, o conhaque, a cebola, o alho, o azeite de oliva...) e lá mesmo coloca, mistura e prepara tudo com maestria, como se esperasse uma nota dos clientes/jurados. Quadradinhos de uma boa broa preta vêm com o prato, que praticamente exige também a companhia de uma cerveja, podendo ser escolhida entre diversos rótulos e num preço razoável.

Por falar em companhia, o público do local é variado. Desde os mais velhos, que presenciaram tempos de verdadeira boemia, até jovens com inveja de não terem vivido esta época. Todos convivendo bem, tomando cerveja lado a lado. O clima não chega a ser de festa, descontração – calma lá. O que se vê é talvez descompromisso, a delícia de passar um tempo, seja no começo da tarde de sábado, ou no happy hour, sem mais obrigação nenhuma para o dia.

Para completar o quadro, faz falta uma música ao vivo, um samba ou chorinho, mesmo que de poucos músicos. A dica já foi anotada por Wlamir, dono do estabelecimento – esse bar-mercearia, que com seu ambiente, comida e, principalmente, informalidade (de exemplo, o garçom, mestre-sala Diogo, que termina o expediente sentado à mesa, junto com os últimos clientes, contando suas histórias de bar) é um tipo de lugar que muitos achavam que não existia mais.


A Mercearia Fantinato funciona de segunda a sábado, das 17h à 1h, e seu endereço é rua Mateus Leme, 2553 – Bom Retiro.


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Bar do Pasquale sobrevive no coração de Curitiba





Localizado no meio do Passeio Público, o Restaurante do Passeio, mais conhecido como Bar do Pasquale, é um dos mais tradicionais redutos da boemia curitibana. O quiosque amplo e arejado já foi ponto de encontro de Jaime Lerner com seus eleitores, o que ainda acontece hoje, porém com menos frequência. Infelizmente, tal como seu frequentador de renome, a popularidade do Pasquale parece ter diminuído com o passar dos anos.

Como todo bar que pretende cativar os boêmios, cerveja gelada é norma da casa, nesse quesito o tempo não trouxe prejuízos ao local. As porções são bem servidas e atendem bem ao gosto da distinta classe dos freqüentadores de boteco. Ainda sobre as porções, pedi uma de bolinho de macaxeira com carne de sol e uma de pasteizinhos de queijo, a primeira veio com 19 unidades, a segunda com 21. Tudo bem, contribuiu para a alternatividade do local, boteco bom não é certinho mesmo.


O bom de frequentar lugares como o Pasquale é sentir-se mais integrado à cultura curitibana, prova disso é que o bar foi escolhido por Dante Mendonça para ser o palco do lançamento de seu novo livro, “Curitiba - Melhores defeitos e piores qualidades”. Estão lá presentes vários componentes do folclore curitibano, como os senhores jogando xadrez e dominó e as senhoras alimentando os pombos. Eventos clássicos e lamentavelmente cada vez mais nostálgicos, talvez por termos trocado os parques pelos shoppings, ou por estarem rareando realmente.


Um fator alarmante: talvez pelo inesperado número de pessoas presentes no dia do lançamento do livro, faltou cerveja Original ainda cedo da tarde. Logo a Original, elo de ligação entre as gerações boêmias e especialmente em um sábado, quando a cervejinha é acompanhante obrigatória da feijoada. Infração gravíssima.


Sobre a feijoada: Completa, servida em um extenso Buffet é do tipo “tudo separado”, e com o preço justo se comparado à qualidade. Vale a pena apreciar em um sábado ensolarado, tendo a tranqüilidade do parque para desfrutar após o almoço. De quebra, a partir das 13 horas uma banda de chorinho faz o fundo musical com muita competência, contribuindo diretamente para a atmosfera agradável do local.


Impossível deixar de criticar a demora dos garçons para atender e trazer os pedidos. Apesar de bastante simpáticos, a diminuição da clientela parece ter acostumado mal os funcionários do bar. E esperar para pagar a conta é o tipo de coisa que irrita gregos, troianos, boêmios, conservadores, lernistas e requianistas.


Falando em Lerner, é dele uma das frases que melhor define o que representa o Pasquale na cultura curitibana: “O Pasquale é a nossa praia. Referência de gerações. Não imagino Curitiba sem o Passeio, nosso primeiro Parque, nem o Passeio sem o Pasquale, nosso anfitrião de sempre...”


O Restaurante do Passeio, ou Bar do Pasquale atende de Terça a Domingo, das 11 às 19 horas. O endereço é Rua Luiz Leão, sem número no Centro. Para reservas o telefone é o 3322-7067.