Advogado por formação e músico por natureza, Riad Bark canta e encanta
No ano de 1979, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) formava mais uma turma do curso de direito. Entre os formandos, Riad Bark, 54, realizava o sonho de muitos, obtia o diploma da consagrada universidade. Mas a vida lhe reservava muito mais realizações do que a advocacia poderia lhe proporcionar. Se a empatia do “turco” poderia lhe credenciar sucesso em uma série de profissões, inclusive no direito, certamente nenhuma delas o permitiria alçar voos tão longos como a carreira de músico e proprietário de bar lhe possibilitaram.
No ano de 1979, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) formava mais uma turma do curso de direito. Entre os formandos, Riad Bark, 54, realizava o sonho de muitos, obtia o diploma da consagrada universidade. Mas a vida lhe reservava muito mais realizações do que a advocacia poderia lhe proporcionar. Se a empatia do “turco” poderia lhe credenciar sucesso em uma série de profissões, inclusive no direito, certamente nenhuma delas o permitiria alçar voos tão longos como a carreira de músico e proprietário de bar lhe possibilitaram.
Exerceu a advocacia na área trabalhista por cerca de sete anos. Obteve certo êxito profissional trabalhando em prefeituras, mas, ainda assim, seu histórico de vida permite facilmente a compreensão relativa à mudança tão drástica de ofício. Componente de uma família que respira música, Riad já teve contato com o canto desde cedo, com o coral da família Bark, composto por ele e seus irmãos. E foi para unir o talento, o prazer e o trabalho que Riad abriu seu bar, o Ponto Final. Então, 1987 seria marcado como o ano em que a classe trabalhadora perderia um de seus defensores, para a MPB ganhar um de seus baluartes. No comando do reduto boêmio - tão original quanto duradouro-, Riad consegue manter a excelência e as raízes até hoje, fato cada vez mais raro no ramo de casas noturnas.
Se a interferência da família de Riad o auxiliou para identificar seu dom, com certeza não foi a última vez que exerceu sua influência na vida do cantor. Ao contrário do que a vida boêmia de Riad poderia sugerir, as referências familiares podem ser notadas em seu ambiente de trabalho. O quibe, especialidade do bar do cantor, é preparado por sua mãe. Riad inclusive é extremamente modesto – tal como um bom filho – ao creditar o diferencial do Ponto Final ao quitute materno: “Acho que o bar não tem nada de mais. Eu me esforço, tento fazer o que o pessoal gosta. O quibe que minha mãe faz que é o diferencial único”, confidencia.
E o resto da família? Estão juntos também. As duas filhas são frequentadoras assíduas do bar, enquanto seu sobrinho anota os pedidos dos clientes e sua esposa, Marlene, é responsável pelo caixa do estabelecimento. Essa proximidade que Riad mantém entre sua família e seu local de trabalho falam por si só sobre sua personalidade afetiva, o legítimo paizão. Além disso, não precisa nem inventar desculpas para ficar até tarde no bar com os amigos. Precisa de mais?
Com seu tradicional bigode, cabelos escovados para trás e a barriga saliente – que demonstra sua autoridade botequeira – Riad sobe ao palco do Ponto Final por volta das 23 horas nas sextas-feiras e sábados, únicos dias em que o bar abre. Ao longo da noite, passeia pelo seu repertório, atende aos pedidos dos clientes e amigos, e como se fosse apenas mais um dos frequentadores assíduos do local, degusta doses e mais doses de Guaraná Diet com Bacardi: “Whisky jamais!”, exclama Riad para depois explicar como evoluiu das doses de conhaque, passou pela fase da gim tônica, da cuba, até culminar no estágio atual, que ele mesmo denonima como “meia-cuba”. “Se eu tomar 15 doses de cuba, é bem menos do que 15 doses de conhaque”, justifica coerentemente o cantor.
A personalidade simples de Riad se reflete no ambiente do Ponto Final e, em cada momento da noite, bar e cantor unem-se mais e mais para, em uníssono, trazer de volta aos mais antigos “aqueles tempos que não voltam mais”, e também para despertar nos jovens a paixão pela MPB. É com irreverência que Riad conta sobre essa união de gerações: “O bar é frequentado por todas as camadas e idades; eu estou na terceira geração já. Tem uma menina que vem aqui que diz ‘meu avô adorava tua voz’”.
Tal como é evidente o toque de cantor em cada detalhe de seu bar, não é exagero afirmar que, quando Riad evoca canções de artistas como Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Tom Jobim ou Toquinho, é como se os quadros destes grandes nomes da música ganhassem vida e sentassem nas mesas quadradas do local para apreciar o show. Falando em mesas, essas - ao lado das cadeiras - parecem dançar timidamente quando os mestres Cartola, Noel Rosa e Adoniran Barbosa se fazem presentes na voz do bardo. Até mesmo as paredes verdes e antigas cumprem sua função, que vai além de reter toda a fumaça do local, fato que, apesar de não ser exatamente um problema, às vezes incomoda o cantor: “No meu bar muita gente reclama da fumaça, se vier aquela lei que tem em São Paulo, eu não ligaria tanto assim”, afirma Riad, referindo-se à lei que proíbe o fumo em locais fechados. O vozeirão de Riad, projetado para fora do bar, é o anúncio da grande noite que se aproxima, sendo essa a principal e verdadeira função das paredes locais.
Mesmo com todo o sucesso profissional e pessoal, Riad é precavido e se antecipa a qualquer infortúnio que a vida possa lhe reservar - continua pagando anualmente a OAB. “Vai que um dia eu perco a voz”, justifica. Os amantes da MPB fazem votos sinceros para que isto jamais aconteça – ou ao menos que Riad seja eterno enquanto dure.
O Ponto Final fica na Rua Portugal 715 e o telefone para contato é o 3024-0398. O bar abre sextas e sábados das 22h30 até o último cliente.
Sensacional cara!
ResponderExcluirEsse usa a 10.
ResponderExcluirBelo texto Castro! À altura do estabelecimento!
ResponderExcluirSó faltou mencionar que o Bacardi com guaraná do turco é SEM GELO. Isso segundo o Casico, que já provou desta "delícia".
Ah, Xina escrevendo!
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