Comentários, opiniões, crônicas e pitacos sobre bares, botecos e tudo mais que os cerca. Informações diversas atualizadas constantemente e toda sexta-feira o perfil do estabelecimento da rodada, não deixe de conferir!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sorvetes revolucionários


No início do mês estive em viagem para Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP. Entre debates e pingas artesanais, não poderia deixar de conhecer os bares da cidade. Assim sendo, segue um textinho sobre o Che Bar.


O argentino Ernesto “Che” Guevara é um ícone da América Latina. Seus ideais revolucionários inspiraram uma série de movimentos políticos em países como Cuba e Bolívia. Camisetas com o rosto de Che ou suas frases mais famosas como: ”Hasta la victoria siempre”, são vistas todos os dias nas ruas e são vendidas a rodo por grifes famosas em uma curiosa contradição de ideologias.

A inspiração não parou por aí, a agradabilíssima cidade de Paraty - RJ abriga um bar totalmente inspirado no revolucionário bolivariano, é o Che Bar. A música latina é a trilha sonora do bar localizado no Centro Histórico da cidade litorânea. Os detalhes de decoração, apesar de óbvios, são elementares para a construção da atmosfera caribenha: além de fotos de Che e de Cuba, podem ser vistas bandeiras cubanas tanto nas paredes quanto nas toalhas das mesas.

A culinária é inspirada na gastronomia cubana, mas não é nada diferente do que se vê por aí. O que realmente chama a atenção são os sorvetes. Como em bar de revolucionário, Petit Gateau não tem vez, os carros chefes da casa em termos de sobremesa são os sorvetes de Mojito (tradicional bebida cubana composta por rum e hortelã), e o de framboesa com pimenta. Se soam estranhas as combinações, igualmente surpreendentes são os sabores das iguarias - Valem por si só a visita. Os preços não são lá muito comunistas, mas não fogem à regra do restante da cidade histórica. Lembre-se, para aproveitar bem o passeio em Paraty: hay que gastar, pero sín perder la ternura. Com o perdão da licença poética.


sexta-feira, 19 de junho de 2009

Quermesse o ano todo,sô

Não existiria mês mais propício que o de Junho para a coluna dedicar-se ao bar Quermesse. Em meio à temporada de festas juninas, o bar inaugurado a apenas três meses dá mostras de que poderá suprir aquela sensação de “quero mais” que as festividades desse mês costumam deixar ao longo do ano. Inspirado nas homônimas quermesses – festas tradicionais do interior – o bar inova ao montar seu arraial na cidade grande.

O local é amplamente decorado. Desde objetos elementares como bandeirinhas, chapéus de palha, garrafas e louças, até originalidades que de imediato chamam a atenção, como as placas indicadoras dos doces, do quentão e do caixa (que lá é bilheteria). Igualmente original e interessante é o local para fotos que fica logo na entrada do bar. Um quadro grande, de uma família caipira com um vão no local das cabeças, permite ao frequentador a possibilidade de registrar seu momento como um tradicional interiorano.

A simplicidade vai além da decoração. A vela que acompanha a mesa dos casais vem colocada no topo de uma garrafa já vazia de vinho, situação que remete à ideia de reaproveitar o que for possível – costume peculiar ao interiorano no imaginário popular. Outros fatores que realçam a simpática atmosfera do local são os guardanapos que acompanham as refeições: coloridos, tais como os de festas infantis e a música ao vivo – composta por apenas um cantor e violeiro que faz da MPB, o som ambiente.

E já que chegamos às refeições, essas são um dos pontos altos do bar, iniciando pelo cardápio. O cliente escolhe seu prato em folhas impressas e anexadas a encartes de discos de compositores nacionais, como Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Quanto às opções, são obviamente brasilidades. É possível comer o tradicional “bife sujo” em variadas combinações, além de porções como o frango à passarinho e bolinho de carne seca. Mas o que chama a atenção realmente é o “cachorro quente de quermesse”. Em pão francês ou baguete, a receita referência das festas juninas é um tiro certeiro da casa. No Quermesse é possível comer o tradicional sanduíche com vinas, molho de tomate e vinagrete o ano todo.

Se montar um bar nesses moldes originais traz uma impressão de coragem, essa passa ser uma certeza depois de observadas algumas atitudes dos proprietários. O bar não exige a cobrança dos 10%, mas deixa uma caixa próxima a bilheteria para que o cliente, se achar justo, dar sua contribuição. Também é opcional o pagamento do couvert artístico e, não obstante, no cardápio consta o telefone do Procon para eventuais reclamações. Outro destaque é o mural de recados, que não parece sofrer nenhum tipo de censura da casa. Atitudes simples e corajosas que sem dúvidas conquistam o cliente – que se sente valorizado.

O resumo endereçado a um dos discos de Vinícius de Moraes, que compõe o cardápio do local, chega a suscitar dúvidas se não teria escrito por encomenda para o bar. “Numa receita bem brasileira, temperada pelo contraste, Vinícius mesclou casa-grande e senzala...”.

O bar Quermesse fica na Rua Carlos Pioli, 1513 e atende de segunda a sexta das 11e30 às 14 horas. Nos sábado abre para o almoço do meio dia às 16, e a noite das 18 até as 23 horas. O telefone é o 3026-6676.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Doutor em MPB







Advogado por formação e músico por natureza, Riad Bark canta e encanta

No ano de 1979, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) formava mais uma turma do curso de direito. Entre os formandos, Riad Bark, 54, realizava o sonho de muitos, obtia o diploma da consagrada universidade. Mas a vida lhe reservava muito mais realizações do que a advocacia poderia lhe proporcionar. Se a empatia do “turco” poderia lhe credenciar sucesso em uma série de profissões, inclusive no direito, certamente nenhuma delas o permitiria alçar voos tão longos como a carreira de músico e proprietário de bar lhe possibilitaram.


Exerceu a advocacia na área trabalhista por cerca de sete anos. Obteve certo êxito profissional trabalhando em prefeituras, mas, ainda assim, seu histórico de vida permite facilmente a compreensão relativa à mudança tão drástica de ofício. Componente de uma família que respira música, Riad já teve contato com o canto desde cedo, com o coral da família Bark, composto por ele e seus irmãos. E foi para unir o talento, o prazer e o trabalho que Riad abriu seu bar, o Ponto Final. Então, 1987 seria marcado como o ano em que a classe trabalhadora perderia um de seus defensores, para a MPB ganhar um de seus baluartes. No comando do reduto boêmio - tão original quanto duradouro-, Riad consegue manter a excelência e as raízes até hoje, fato cada vez mais raro no ramo de casas noturnas.


Se a interferência da família de Riad o auxiliou para identificar seu dom, com certeza não foi a última vez que exerceu sua influência na vida do cantor. Ao contrário do que a vida boêmia de Riad poderia sugerir, as referências familiares podem ser notadas em seu ambiente de trabalho. O quibe, especialidade do bar do cantor, é preparado por sua mãe. Riad inclusive é extremamente modesto – tal como um bom filho – ao creditar o diferencial do Ponto Final ao quitute materno: “Acho que o bar não tem nada de mais. Eu me esforço, tento fazer o que o pessoal gosta. O quibe que minha mãe faz que é o diferencial único”, confidencia.


E o resto da família? Estão juntos também. As duas filhas são frequentadoras assíduas do bar, enquanto seu sobrinho anota os pedidos dos clientes e sua esposa, Marlene, é responsável pelo caixa do estabelecimento. Essa proximidade que Riad mantém entre sua família e seu local de trabalho falam por si só sobre sua personalidade afetiva, o legítimo paizão. Além disso, não precisa nem inventar desculpas para ficar até tarde no bar com os amigos. Precisa de mais?


Com seu tradicional bigode, cabelos escovados para trás e a barriga saliente – que demonstra sua autoridade botequeira – Riad sobe ao palco do Ponto Final por volta das 23 horas nas sextas-feiras e sábados, únicos dias em que o bar abre. Ao longo da noite, passeia pelo seu repertório, atende aos pedidos dos clientes e amigos, e como se fosse apenas mais um dos frequentadores assíduos do local, degusta doses e mais doses de Guaraná Diet com Bacardi: “Whisky jamais!”, exclama Riad para depois explicar como evoluiu das doses de conhaque, passou pela fase da gim tônica, da cuba, até culminar no estágio atual, que ele mesmo denonima como “meia-cuba”. “Se eu tomar 15 doses de cuba, é bem menos do que 15 doses de conhaque”, justifica coerentemente o cantor.


A personalidade simples de Riad se reflete no ambiente do Ponto Final e, em cada momento da noite, bar e cantor unem-se mais e mais para, em uníssono, trazer de volta aos mais antigos “aqueles tempos que não voltam mais”, e também para despertar nos jovens a paixão pela MPB. É com irreverência que Riad conta sobre essa união de gerações: “O bar é frequentado por todas as camadas e idades; eu estou na terceira geração já. Tem uma menina que vem aqui que diz ‘meu avô adorava tua voz’”.


Tal como é evidente o toque de cantor em cada detalhe de seu bar, não é exagero afirmar que, quando Riad evoca canções de artistas como Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Tom Jobim ou Toquinho, é como se os quadros destes grandes nomes da música ganhassem vida e sentassem nas mesas quadradas do local para apreciar o show. Falando em mesas, essas - ao lado das cadeiras - parecem dançar timidamente quando os mestres Cartola, Noel Rosa e Adoniran Barbosa se fazem presentes na voz do bardo. Até mesmo as paredes verdes e antigas cumprem sua função, que vai além de reter toda a fumaça do local, fato que, apesar de não ser exatamente um problema, às vezes incomoda o cantor: “No meu bar muita gente reclama da fumaça, se vier aquela lei que tem em São Paulo, eu não ligaria tanto assim”, afirma Riad, referindo-se à lei que proíbe o fumo em locais fechados. O vozeirão de Riad, projetado para fora do bar, é o anúncio da grande noite que se aproxima, sendo essa a principal e verdadeira função das paredes locais.


Mesmo com todo o sucesso profissional e pessoal, Riad é precavido e se antecipa a qualquer infortúnio que a vida possa lhe reservar - continua pagando anualmente a OAB. “Vai que um dia eu perco a voz”, justifica. Os amantes da MPB fazem votos sinceros para que isto jamais aconteça – ou ao menos que Riad seja eterno enquanto dure.
O Ponto Final fica na Rua Portugal 715 e o telefone para contato é o 3024-0398. O bar abre sextas e sábados das 22h30 até o último cliente.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Cerveja também no frio: Cervejaria da Vila


Chega o frio, aquela preguiça de sair de casa, e as pessoas, quando ousam ir à rua, logo pensam em lugares aconchegantes, com comidas e bebidas mais quentes e fortes. Ainda assim, tem gente que não larga a cerveja gelada por nada e, para sua sorte, tem bares que também não. Salve a Cervejaria da Vila!

Ela é uma das poucas casas de Curitiba voltada quase exclusivamente a cervejas, com uma variedade surpreendente de rótulos internacionais, vindos de países como Inglaterra, Alemanha e Bélgica. No entanto, a cara do bar é de uma cerveja brasileira. Catarinense, para ser mais específico.

Boa parte da carta de chopes e garrafas da Eisenbahn está presente na Cervejaria da Vila, para alegria e apreciação de apaixonados e também novos conhecedores da marca. Criada em 2002 e com sede em Blumenau, a Eisenbahn começou pequena, mas ambiciosa, desde sempre com o objetivo de fazer uma cerveja de nível internacional. Tida como cervejaria artesanal, produz 1,8 milhão de litros por ano, divididos por 15 diferentes tipos da bebida, todos com características individuais e graduação alcoólica que pode chegar a 11,5%, muito acima das cervejas comuns.

Na Cervejaria da Vila, tanto as garrafas quanto os chopes convencionais da marca catarinense custam por volta de cinco, seis reais. Vale a pena pedi-los junto de uma das porções da casa, como a de batata frita ou a de alcatra. Com mais fome, a batata suíça é um ótimo pedido, ainda mais se for com recheio de lingüiça Blumenau. Outros pratos também são servidos na casa, sempre com um preparo e qualidade muito bons, quantidade e preços regulares.

Durante a semana, alternam-se promoções de happy hour, (envolvendo principalmente as cervejas e chopes Eisenbahn) assim como bandas de folk, rock’n’roll e country.

Um último destaque para cerveja vai à Diabólica, produto artesanal, feito em Curitiba mesmo e uma delícia. Trata-se de uma Indian Pale Ale (tipo da cerveja), de cor vermelha e muito encorpada. O nome vem de sua graduação alcoólica: 6,66%. Uma garrafa de 600ml da Diabólica é vendida por R$15,00 na Cervejaria da Vila – que, como deu para perceber, é um bar diferente, com cervejas diferentes e que têm valores acima das comuns. Porém, não se deixe assustar pelo preço de uma garrafa: para sair um pouco do comum e conhecer mais do mundo das cervejas, vale uma visita à Cervejaria da Vila. Saúde!


A Cervejaria da Vila fica na rua Mateus Leme, nº 2631. Funciona de segunda a sexta, das 18h à 1h, e nos sábados, das 15h à 1h.

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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Democrático

“Eu vou ao samba porque longe dele eu não posso viver” caberia de resposta não só a Paulinho da Viola, mas a qualquer cidadão que integra a boa roda do Aos Democratas, principalmente numa sexta ou sábado daqueles que se quer comemorar algo – mais um ano, ou simplesmente mais um dia de vida.

O clima é de eterna festa, o bom humor reina no ritmo de atabaques e pandeiros. É difícil ver cara feia no Aos Democratas. Até porque todo o bar conspira em favor da descontração. Como exemplo, a decoração é composta por camisas de clubes e outros adereços futebolísticos, assim como por caricaturas de grandes nomes da música brasileiríssima. Por sua vez, a música (primordialmente o samba, mas não raro ou bossa nova, ou MPB, ou samba rock, ou choro, ou o que for) mesmo quando a letra é triste, tem alegria na voz e na levada, o que faz com que o Aos Democratas – na humilde opinião dos escritores – tenha uma das melhores músicas ao vivo da cidade.

Outro destaque, como não poderia deixar de ser, vai ao chopp servido na casa, quase obrigatório na noite e que é responsável por algumas certificações que o bar ostenta orgulhoso, atribuídas pela marca de excelência da Ambev, chamada Real Academia do Chopp. Aqui vale uma ressalva, se o chopp é realmente bom, a maneira como é servido, em alguns casos, põe tudo a perder. É um daqueles bares em que o garçom não espera a afetuosa solicitação do amigo cliente, mas já enche a bandeja e sai a distribuir calderetas e canecas a quem estiver com copos meio vazios. Além de não ser uma prática agradável, o chopp por vezes perde aquele gosto de tirado na hora e não chega tão gelado a mesas e goelas.

Da chopeira para a cozinha, merecem destaque as primorosas porções de bolinhos de macaxeira com carne-seca e o carro-chefe da casa, o Frango Democrata. Esta última composta por frango empanado com um tempero da casa, é presença quase certeira nas mesas dos torcedores que lá se reúnem para assistir os jogos de futebol de seus times.

Os telões exibindo as partidas também constituem o rol de atrativos do Aos Democratas. É possível encontrar diversos grupos, até mesmo de torcedores rivais, dividindo o mesmo espaço em pacífica convivência. Uma atitude – com o perdão do trocadilho – Democrática.

O Aos Democratas parece ter encontrado a melodia do sucesso ao conciliar no mesmo ambiente tantas paixões nacionais em harmonia: Chopp, samba, futebol e gente bonita – os acordes e notas da partitura escrita desde 2003, e em constante atualização. E é com outro ensinamento do mestre Paulinho da Viola que reforçamos que o bar merece a vista, afinal: “Ninguém pode explicar a vida num samba curto”.

O Aos Democratas fica na Rua Doutor Pedrosa, nº 485, e abre de terça a sexta às 18h e nos finais de semana a partir das 15h, todos os dias até o último cliente. O telefone para reservas é o 3024-4496.



Por Fernando de Castro e Luiz Felipe Marques

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Kaes Bar: Clima amigável a um preço atraente

Bar bom é aquele que te faz sentir-se em casa e esse quesito o Kaes Bar cumpre com excelência. Localizado no Cabral, o bar veio suprir a carência da região em estabelecimentos do tipo, e acertou a mão. O Kaes, que abriu em 2007 pertence aos irmãos Kariston e Esdras – o nome do local vem das iniciais dos dois – e desde então se tornou ponto de encontro oficial de jovens de variadas tendências.

Tudo por lá remete à sensação de estar na sua casa ou quem sabe na de um amigo, começando pelo fato de o bar ter sido acertadamente instalado em um sobrado. Na casa do Kaes tem sala de estar, sala de visitas, sala de jogos – onde é possível jogar sinuca por módicos dois reais – e claro, cozinha.

Apesar de não ser a especialidade do bar, a cozinha atende bem à necessidade dos famintos da madrugada. Com as opções de sanduíches, nachos e porções, o cliente nem precisa se dar ao trabalho de procurar um cachorro quente de rua aberto, mata a fome por lá mesmo.

Mais ainda, o Kaes possui alguns diferenciais elementares para a compreensão do sucesso do bar em ser a segunda casa dos notívagos. Um deles é o mágico Roberto Polini que aos sábados exibe seus truques pelas mesas e balcões do estabelecimento, arrancando exclamações até mesmo dos mais céticos. Um show à parte. Outro fator que influi consideravelmente é o musical. Apesar de contar com dvds de excelente qualidade - mostrados em duas televisões - o Kaes também exibe o repertório que algum cliente eventualmente leve e queira ouvir e assistir, uma medida simples e que agrada muito aos frequentadores.

O clima de amizade é algo que chama a atenção por lá. Basta um olhar breve para perceber como o local é apinhado de grupos que fazem do Kaes seu reduto de encontro. Até os garçons entram nessa. Desde o rapaz que cuida da porta até o preparador dos narguiles, todos são amigos e frequentadores do local, o que se provou ser uma jogada inteligente. Ao mesmo tempo em que os proprietários possuem um staff confiável e disposto, é difícil apontar quem não gostaria de ganhar uma graninha pra trabalhar no bar.

Esse sucesso todo não seria possível isolado de um quesito fundamental - o preço. Justa e acessível, a quantia cobrada pelos proprietários é o ingrediente principal para familiarizar o consumidor ocasional e transformá-lo no cliente de todo final de semana. O narguile, por exemplo, que dispõe de enorme popularidade no bar, em outros locais não custa menos de R$20. No Kaes sai por seis, e seu refil quatro. A cerveja Heineken de 600ml custa R$4,30 e nem precisa da tradicional promoção do “baldinho” oferecida por outros lugares, o preço em si já é o convite para o retorno do cliente. Não bastasse a pechincha que é consumir no Kaes, o preço de entrada é também democrático – Livre durante a semana, e nunca mais de R$2,50 nos finais de semana e feriados.

O Kaes fica na Rua Manoel Pedro 715, e atende de terça a domingo das 19 e 30, até o último cliente – que costuma demorar pra ir embora. O telefone é 3253-3997 e é possível fazer reserva para eventos.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Dá licença de contá

Comecinho de 2006 e nascia o bar que acabou dando origem ao Saudosa Maloca, tema da coluna de hoje. Era o Esquina Brasil, cujo nome vinha justamente da localização, em mais uma esquina, dessa vez da Senador Xavier com a Duque de Caxias. Já o sobrenome Brasil descendia da decoração, do ambiente e da música: capas de discos dos nossos artistas por todo o bar, uma gostosa descontração todos os dias e samba – de altíssima qualidade.

Depois de um tempo, porém, as coisas mudaram. Os finais de semana sempre de samba receberam dias de pop rock nacional e estrangeiro. Um pouco descaracterizado, quase no fim de 2008 o bar foi vendido e no ano seguinte, eis que surge o Saudosa Maloca.

Com o nome inspirado numa das maiores obras do também saudoso Adoniran Barbosa, o intuito da casa é fazer uma referência a capital paulista, alguns de seus ilustres cidadãos, suas tradições e seu samba. Dessa forma, quem já conhecia e gostava do velho Esquina, sente-se novamente abrigado por um bar, e logo ali, no mesmo endereço.

Diferente de casas que hoje atraem um grande público, o Saudosa Maloca não tem por objetivo chamar bandas jovens de samba, samba rock, bossa e MPB para tocar novos sucessos. Nada disso. A música da casa é de grande qualidade, dando ampla atenção para aquelas canções eternas, que nunca se cansa de escutar. Nos sábados, por exemplo, quem toca lá é O Mimeográfo, trio formado por Amauri, Edson e Kalil. Grupo simples, de ótima música e gostoso de ouvir como poucos hoje.

Da música para o cardápio, o bar apresenta pratos diferentes mais elaborados e massas, mas sem deixar de lado – para agrado de paulistanos, curitibanos, novos baianos e todos mais brasileiros – as queridas porções, bem servidas e sem machucar muito o bolso. Para dar mais um toque da terra de Adoniran e dos Demônios, é servido um sanduíche de mortadela do mercadão.

Um bom ambiente, samba na medida e boas porções, porém, iam se sentir sozinhos, pobres coitados, sem pelo menos um copo com colarinho, seja do chopp (preferencialmente o Brahma) ou da cerveja (agora a vez da Original), que podem ser escolhidos entre algumas marcas. Mais uma vez, preços não abusivos.

O Saudosa funciona de segunda a sábado, a partir das 17h. Até as 19h a entrada é franca, a partir deste horário são cobrados R$ 5,00 por pessoa, valor convidativo a quem ama, gosta, sente saudade, não conhece direito, ou mesmo ainda não aprecia, mas quer viver um pouco, mesmo que pelo tempo de dois chopes, da querida cidade de São Paulo.

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